A esquiadora olímpica americana Tess Johnson, de 25 anos, incorpora um ritual de escrita em seu dia a dia para manter o alto desempenho sob pressão. Em entrevista à revista Town & Country publicada nesta quarta-feira, a atleta de mogul (esqui em montanhas com relevo acentuado) revelou que leva seu diário para todas as competições e o utiliza como ferramenta de preparação mental.
Johnson, que integrou a seleção nacional dos EUA aos 14 anos – a mais jovem atleta a conseguir a façanha na época – e se tornou a esquiadora freestyle mais nova a medalhar em um Campeonato Mundial, disse que a prática a ajuda a estabelecer metas e processar emoções. Ela estreou nos Jogos Olímpicos de PyeongChang 2018 e chegou à final em Milão-Cortina 2026, terminando na 10ª posição.
Ritual matinal e noturno para clareza mental
“Faço um pouco de diário pela manhã para definir meu dia, estabelecer minhas metas e um pouco de gratidão, mas à noite eu solto tudo e é um pouco como um vômito de palavras, mas o que eu precisar colocar para fora para ter uma boa noite de sono”, explicou Johnson. Ela acredita ter herdado o amor pela escrita de seu avô, que foi repórter da Sports Illustrated e cobriu Olimpíadas.
A atleta descreve o hábito como uma ferramenta prática para acompanhar seu progresso no esqui e, simultaneamente, um instrumento emocional. “É muito útil colocar tudo no papel e peneirar apenas colocando a caneta no papel. Então, isso faz muito por mim. E, no mínimo, é uma maneira de permanecer presente e sair do meu telefone de vez em quando”, completou.
Pré-rotina de competição e revisão do progresso
Além da rotina diária, o diário é parte fundamental do ritual pré-corrida de Johnson. “Na noite anterior, gosto de escrever no diário, seja sobre o treino daquele dia, quaisquer outros pensamentos que eu precise extrair. Na manhã da prova, escrevo três metas para o dia, geralmente relacionadas ao meu esqui ou a um objetivo de desempenho mental, ou apenas algo talvez não relacionado ao esqui, e depois escrevo algumas coisas pelas quais sou grata também”, detalhou a esquiadora, que em seguida realiza seu aquecimento.
Johnson também revisita seus diários antigos, incluindo os escritos durante as Olimpíadas de 2018. “É muito legal ver o progresso que fiz ao longo dos anos”, afirmou. A prática de journaling tem sido adotada por outros atletas de elite, como o nadador Michael Phelps, que em 2023 disse à Business Insider usar a escrita para reflexão e descontração, e a estrela da WNBA Caitlin Clark, que incorporou o diário em seu ritual pré-jogo para clareza e foco.
Contexto de hobbies tradicionais entre atletas
A busca por hobbies analógicos para equilíbrio mental não se limita ao journaling. Outros atletas olímpicos têm recorrido a passatempos surpreendentemente tradicionais. É o caso do esquiador cross-country Ben Ogden, que afirmou que tricotar o ajuda a relaxar durante o tempo livre, evidenciando uma tendência entre competidores de alto nível em buscar atividades offline para gerenciar o estresse e a intensidade do esporte de elite.