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Estresse térmico afeta 38 milhões de brasileiros e ganha 10 horas a mais por ano nas cidades
Saúde e Bem-Estar

Estresse térmico afeta 38 milhões de brasileiros e ganha 10 horas a mais por ano nas cidades

Condição causada pelo calor extremo sobrecarrega o coração e compromete a saúde mental, alertam especialistas.

Redação
Redação

2 de janeiro de 2026 ·
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O estresse térmico, condição de saúde causada pela exposição a temperaturas extremas que impede o corpo de se resfriar adequadamente, atinge ao menos 38 milhões de pessoas no Brasil, segundo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A pesquisa, que analisou dados de 13 grandes cidades brasileiras nas últimas quatro décadas, revela que os períodos anuais de estresse térmico aumentam, em média, dez horas a cada ano.

Diferente da insolação ou do golpe de calor, o estresse térmico ocorre quando o organismo, exposto principalmente ao calor intenso, falha em manter sua temperatura interna ideal de cerca de 36,5°C. A condição é avaliada por um índice bioclimático que considera, além da temperatura, fatores como umidade do ar, vento e radiação solar.

Mecanismos do corpo e riscos à saúde física

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“O corpo humano tende a manter a temperatura constante entre 36 e 37 °C. Quando as temperaturas se elevam o corpo dá início a mecanismos para resfriamento, como a transpiração. Transpiração em excesso sem a adequada reposição de fluídos e eletrólitos pode levar a perda da capacidade de controlar a temperatura”, explica Marcelo Franken, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

A perda excessiva de água e sais minerais pode causar desde cansaço e tontura até exaustão e desidratação grave. Em resposta ao calor, a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam, podendo evoluir para choque térmico, confusão mental e convulsões. Idosos, crianças e pessoas com comorbidades são os mais suscetíveis.

“O coração é um dos órgãos que mais é comprometido, podendo causar arritmias, aumento da pressão arterial e, em casos mais severos, pode até resultar em uma parada cardíaca”, acrescenta Diego Gaia, cirurgião cardiovascular do Hospital Santa Catarina – Paulista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Impacto na saúde mental e recomendações

Os efeitos não são apenas físicos. A psicóloga Tatiane Mosso alerta que as altas temperaturas podem aumentar a irritabilidade, a sensação de cansaço, a dificuldade de concentração e desencadear quadros de ansiedade e apatia. “O estresse térmico afeta o bem-estar psicológico porque coloca o nosso corpo em estado constante de alerta”, explica.

Para amenizar os sintomas, especialistas recomendam: hidratação constante (com água, água de coco ou isotônicos), ingestão de alimentos frescos e leves, permanência em locais frescos ou com sombra, uso de roupas leves e evitar a exposição ao sol nos horários de pico do calor. Para o equilíbrio emocional, Mosso sugere técnicas de respiração, sono adequado, prática de atividades em horários frescos e busca por apoio social.

Escala do problema nas grandes cidades

O estudo do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ (Lasa/UFRJ) analisou 31 cidades sul-americanas com mais de um milhão de habitantes, sendo 13 brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Belém, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba e Campinas.

Os pesquisadores constataram que a escalada do aumento do estresse térmico começou há 20 anos. Atualmente, os moradores dessas cidades passam de 17 a 25 dias por ano sob condições meteorológicas que superam a capacidade de suporte do corpo humano.

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