Liu Yi Wen, uma chef taiwanesa formada em ciência dos materiais, e Au Hui Har, ex-funcionária da farmacêutica Novartis, abriram em julho a padaria The Weirdoughs em Serangoon, um bairro residencial de Singapura. A dupla investiu cerca de 100.000 dólares singapurenses (aproximadamente US$ 77.300) de suas economias para equipar o pequeno estabelecimento, que rapidamente conquistou uma clientela fiel.
O negócio, que já atrai entre 80 e 100 clientes por dia, com faturamento diário entre SG$ 1.500 e SG$ 2.000, representa uma mudança radical de vida para as sócias. Ambas deixaram para trás carreiras que consideravam insatisfatórias para seguir a paixão pela panificação, enfrentando agora jornadas de trabalho que começam antes do amanhecer.
Mudança radical de carreira
Liu Yi Wen, de 31 anos, se formou em ciência dos materiais por seguir uma tendência, mas descobriu que não tinha interesse na área. "Depois que entrei no curso, percebi que não estava interessada nisso", afirmou. Sua trajetória na gastronomia começou em restaurantes finos, incluindo o três estrelas Michelin Joël Robuchon, onde descreveu a rotina como "similar ao exército", com jornadas de 14 a 16 horas diárias.
Au Hui Har, por sua vez, estudou bioengenharia e ingressou em um programa de trainee de gestão na Novartis, passando por rotações na Alemanha e Suíça. Ela também se sentia desconectada do propósito. "As regulamentações na indústria levam anos para serem implementadas. Senti-me desconectada dos pacientes, e a vida corporativa parecia muito tediosa", explicou Au.
O encontro e o sonho em comum
O encontro decisivo ocorreu quando ambas trabalhavam na Tarte by Cheryl Koh, um negócio local de confeitaria, após retornarem a Singapura – Liu para ficar com o parceiro e Au devido à pandemia de COVID-19. Foi ali que surgiu a ideia de abrir um café aconchegante, inspirado nos que Liu frequentava em Taiwan e França.
"Queríamos incorporar a influência e as técnicas taiwanesas da Yi Wen em nosso cardápio", disse Au sobre o desenvolvimento do menu. A oferta inclui itens como sanduíche de ovo de chá, madeleines com maqaw (uma especiaria indígena de Taiwan) e pão sourdough de milho e missô.
Sucesso e sacrifícios
O reconhecimento rápido veio dos clientes. Foo Yong Howe, 51, servidor público e fã de sourdough, declarou: "Se tivesse tempo e meu bolso permitisse, viria definitivamente uma vez por semana. Seu sourdough é leve e combina bem com as manteigas caseiras, e o espaço é muito aconchegante".
Por trás do sucesso, no entanto, estão rotinas extenuantes. Para garantir que os 26 tipos de pastéis estejam prontos para a abertura às 10h, Au começa a trabalhar às 4h da manhã. Aos fins de semana, com abertura às 8h, ela acorda à 1h. "É definitivamente mais cansativo do que eu pensava que seria", admitiu.
Um dos maiores desafios é o espaço físico limitado. "O maior problema que temos é que, como o espaço é tão pequeno, não podemos realmente ligar o forno quando a loja está funcionando, caso contrário fica muito quente", explicou Au. Para tentar manter um equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ela dorme apenas três a cinco horas por dia.
Perspectivas para o futuro
Apesar das dificuldades, as sócias não se arrependem da escolha. Atualmente, cada uma recebe um salário mensal de SG$ 2.000. "Não sou alguém que vive a vida com arrependimentos", afirmou Au. "Sempre sigo o fluxo; tudo é um processo de aprendizagem."
A The Weirdoughs se consolidou como um ponto de encontro no bairro, provando que a mudança de carreira, embora desafiadora, pode ser recompensadora quando alinhada à paixão e a um sonho empreendedor compartilhado.