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Execução de informante do PCC terá réus julgados por júri popular em SP

Execução de informante do PCC terá réus julgados por júri popular em SP

Justiça de São Paulo pronuncia dois acusados pelo assassinato de Roberto Hipólito, o "Zóio de Gato", após sequestro na Dutra.

Redação
Redação

22 de dezembro de 2025 ·
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A Justiça de São Paulo determinou que dois homens acusados de sequestrar, executar e ocultar o cadáver do informante policial Roberto Hipólito Rutkauskas, 29 anos, conhecido como "Zóio de Gato", serão julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), foi publicada em 1º de agosto de 2025 e aceita integralmente a denúncia do Ministério Público Estadual (MP-SP).

Os réus são Jefferson Rodrigues Alexandre, 29, apelidado de "Irmão J" e identificado como "Disciplina" do PCC na região, e Alisson Alexandre Borges, 32, conhecido como "TK". Eles são acusados dos crimes de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), sequestro, ocultação de cadáver e organização criminosa.

Sequestro na rodovia e execução na favela

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Roberto Hipólito foi sequestrado na noite de 16 de setembro de 2023, na Rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele estava com a esposa e o filho de dois anos em um carro de aplicativo quando foi abordado por homens em um Hyundai Tucson preto. Após uma colisão forçada, Zóio de Gato foi retirado à força do veículo e levado para a Favela da Funerária, no Parque Novo Mundo, zona norte da capital paulista.

No local, foi executado com múltiplos tiros. O corpo da vítima nunca foi localizado. A execução foi filmada e o vídeo circulou em grupos de WhatsApp do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que ordenou o assassinato.

Motivação: desafio à facção e atividade de informante

O assassinato foi a culminação de uma sentença de morte decretada pelo PCC. Treze dias antes, em 3 de setembro, Roberto havia discutido com dois integrantes da facção na porta do Armazém Maya Gastro Bar, em Guarulhos. Durante a discussão, que foi filmada, Zóio de Gato afirmou: "Aqui é contra o Primeiro!", em referência ao PCC. Um dos criminosos respondeu com ameaças de morte.

O vídeo da discussão viralizou entre os membros do PCC e serviu como prova para a liderança da facção. Investigadores apontam, no entanto, que a motivação principal era a atividade de Roberto como "Ganso" – informante policial. Ele vendia informações sobre criminosos para policiais, muitas vezes corruptos – o chamado "outro PCC" –, recebendo pagamentos via PIX e deixando um rastro digital de sua atuação dupla.

Provas e reconhecimento materno selaram acusação

O inquérito foi conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A investigação se baseou no rastreamento do veículo usado no sequestro e, principalmente, na análise do vídeo da execução. As imagens permitiram a identificação de Alisson, o "TK", segurando a vítima no chão durante os disparos.

Quando a polícia localizou a mãe de Alisson e mostrou a ela o vídeo, a mulher reconheceu o próprio filho e confirmou: "É o Alisson segurando a vítima". Essa confissão foi fundamental para a captura do réu, que havia fugido para Jacobina, no interior da Bahia, onde foi preso. Alisson, em depoimento extrajudicial, admitiu integrar o PCC e ter participado da "missão" por ordem da facção.

Jefferson, o "Irmão J", foi incriminado pelo depoimento de uma testemunha que o viu descer de um Fiat Fiorino branco – veículo usado para transportar a vítima dentro da favela – e conduzir Roberto, já rendido, para o local da execução.

Defesas tentaram anular provas, mas Justiça as validou

As defesas dos acusados tentaram, sem sucesso, desmontar a acusação. A advogada de Jefferson argumentou que ele não aparece no vídeo da execução e que o reconhecimento fotográfico feito por testemunhas foi nulo. A Defensoria Pública de Alisson alegou que ele apenas cumpriu ordens e tentou afastar as qualificadoras do homicídio.

O Tribunal de Justiça rejeitou todos os argumentos. A decisão de pronúncia considerou que há "indícios suficientes de autoria" e manteve todas as qualificadoras do crime, destacando a "brutalidade fora do comum" do assassinato. A ausência do corpo não impediu a manutenção da acusação de ocultação de cadáver.

Próximos passos: júri popular

Com a pronúncia, Jefferson Rodrigues Alexandre e Alisson Alexandre Borges permanecem presos preventivamente. A Justiça negou pedidos de liberdade, citando a gravidade dos crimes e a necessidade de garantir a ordem pública. O caso agora segue para a fase de julgamento pelo Tribunal do Júri, onde sete cidadãos sorteados decidirão sobre a culpa ou inocência dos réus.

O Ministério Público entende que Alisson não participou do sequestro, apenas da execução, por isso ele responde por homicídio, ocultação de cadáver e organização criminosa. Jefferson é acusado de todos os crimes, incluindo o sequestro.

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