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Uma família britânica decidiu interromper a rotina acelerada de Londres para viver uma experiência de 13 meses em três países diferentes, permitindo que as duas filhas frequentassem escolas locais em cada destino. O casal, formado por uma consultora de marketing e um pesquisador acadêmico, alugou a casa na capital inglesa em julho de 2024 e partiu com apenas duas mochilas e uma bagagem de mão.

A jornada, que integra a série "Adult Gap Year" da publicação, foi planejada para oferecer uma imersão cultural profunda e tempo de qualidade em família, longe da exaustão da agenda lotada do dia a dia. "Queríamos congelar o tempo", explicou a mãe, sobre a motivação para a mudança radical.

Roteiro planejado com residência legal

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A viagem não foi nômade. A família estabeleceu residência em três locais por três a quatro meses cada, com períodos de cinco semanas de viagem entre as bases. A pesquisa do marido, na área acadêmica, foi crucial para garantir a legalidade da residência e o acesso das crianças ao sistema educacional local.

Os destinos escolhidos foram Tsukuba, no Japão; Great Neck, em Nova York (EUA); e Leiden, nos Países Baixos. A seleção buscou contrastes culturais: imersão total no Japão, proximidade com familiares nos EUA e experiência do estilo de vida centrado em bicicletas na Holanda.

Adaptação escolar em três continentes

No Japão, a filha de 8 anos, que inicialmente seria educada em casa, pediu para ingressar em uma escola local japonesa, apesar de saber apenas algumas frases. Ambas as meninas foram aceitas e adotaram a rotina local: caminhavam sozinhas para a escola, trocavam de sapatos, serviam o almoço e limpavam as salas de aula.

Em Nova York, viveram com familiares e as crianças experimentaram o icônico ônibus escolar amarelo pela primeira vez. A rotina contrastou com Londres: sem uniformes, manhãs mais complicadas e a realidade dos treinamentos contra atiradores ativos.

Em Leiden, as meninas frequentaram uma pequena escola internacional. Os alunos pedalavam junto aos canais e cuidavam de suas próprias hortas como parte de um programa holandês de jardinagem.

Minimalismo e lições aprendidas

A vida limitada ao conteúdo das mochilas forçou o minimalismo. "Eu usava um único vestido longo preto quase todos os dias na Ásia", contou a mãe, destacando a libertação da lista interminável de tarefas domésticas. A redução de posses expandiu a capacidade mental da família para focar no lazer.

A adaptação das filhas teve altos e baixos. Inicialmente, a mais nova chorou com a ideia de deixar amigos e professores. Durante a viagem, elas sempre desejaram voltar para casa, mas aprenderam a ser "a criança nova", fazer amigos e se adaptar a ritmos desconhecidos.

Intensidade que uniu a família

A experiência criou memórias únicas, como ter cachoeiras só para a família, observar macacos-da-neve selvagens e celebrar um aniversário em uma praia tailandesa. Nos EUA, puderam estar presentes em momentos familiares difíceis, incluindo o falecimento do avô.

O retorno a Londres, após 13 meses, foi surreal. A filha que completou 7 anos durante a viagem beijou o chão do aeroporto de Heathrow. A aventura esclareceu o que realmente importa: "tempo lento juntos, não reformas ou agendas lotadas". A família agora planeja o próximo grande adventure, mas feliz por estar em casa, "liquidificador incluso".