Família processa cidade após homem morrer em turbina de avião em aeroporto dos EUA
Ação judicial alega negligência em sistemas de segurança e falhas na resposta a passageiro em crise psiquiátrica.
Os pais de um passageiro que morreu após entrar na turbina de um avião no Aeroporto Internacional de Salt Lake City, nos Estados Unidos, entraram com uma ação judicial contra a cidade. A família de Kyler Efinger, de 30 anos, alega que a morte poderia ter sido evitada com sistemas de segurança adequados e uma resposta mais rápida das autoridades do aeroporto.
Kyler Efinger foi encontrado morto em 1º de janeiro de 2024, após rastejar para dentro do motor de uma aeronave da Delta Air Lines que aguardava autorização para decolagem. Ele tinha passagem comprada para visitar o avô, que estava doente.
Comportamento agitado não gerou intervenção efetiva
De acordo com a ação movida por Judd e Lisa Efinger, Kyler apresentava sinais claros de um surto psiquiátrico antes do incidente. Diagnosticado com transtorno bipolar cerca de dez anos antes, ele "ocasionalmente entrava em episódios de desorientação visível", segundo documentos judiciais.
O processo relata que, por volta das 21h, Kyler começou a andar de um lado para o outro em uma passarela, demonstrando comportamento agitado. Menos de meia hora depois, ele entrou em uma loja do time Utah Jazz e agiu de forma tão incomum que o gerente decidiu cobrar menos por uma camisa apenas para encerrar a venda rapidamente.
Ao sair, ele esqueceu uma bolsa, o que levou o gerente a acionar a equipe de operações do aeroporto. Pouco depois, Kyler voltou correndo pelo terminal sem sapatos e com a camisa aberta, gritando que seus pertences estavam sendo mantidos "como reféns".
Falhas no sistema de segurança permitiram acesso à pista
A ação sustenta que, mesmo após demonstrar comportamento incoerente e cada vez mais agitado, não houve intervenção efetiva. Kyler conseguiu atravessar uma porta de emergência que ligava a área estéril do terminal ao pátio do aeroporto. Essa saída, segundo a acusação, não contava com o sistema adequado de bloqueio com atraso, mecanismo que exige de 15 a 20 segundos antes da liberação, tempo suficiente para alertar a segurança.
"A cidade não manteve barreiras capazes de impedir que uma pessoa visivelmente desorientada acessasse livremente o pátio, com todos os riscos envolvidos, sem ser notada ou monitorada", afirma a ação.
Após chegar à pista, Kyler retirou as calças e a roupa íntima, permanecendo apenas com a camisa e meias, apesar das baixas temperaturas. Em seguida, correu em direção a uma aeronave Airbus que já se deslocava para a decolagem.
Morte e pedido de indenização
O processo sustenta que controladores de voo e pilotos não foram avisados de que havia uma pessoa desorientada circulando do lado de fora do terminal. Kyler então entrou no motor do avião ainda em funcionamento. As pás da turbina puxaram seus cabelos, e ele morreu em decorrência de traumatismo craniano grave. O piloto conseguiu desligar o motor ao perceber a situação, mas os ferimentos já eram fatais.
Os pais alegam que o filho poderia estar vivo se tivesse sido localizado apenas 30 segundos antes. A ação acusa Salt Lake City de negligência na manutenção de sistemas de segurança, falhas na comunicação interna e ausência de alertas adequados às equipes de solo e à torre de controle.
A família pede indenização superior a US$ 300 mil, o equivalente a mais de R$ 1,5 milhão, além de julgamento por júri. Procurada, a prefeitura de Salt Lake City não respondeu aos pedidos de comentário até a última atualização desta reportagem.
Deixe seu Comentário
0 Comentários