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Uma fenda submarina de aproximadamente 60 quilômetros de extensão está dividindo dois continentes no fundo do Mar Vermelho. A abertura geológica, que separa as placas tectônicas africana e arábica, tem atraído atenção por seu crescimento contínuo e pelo potencial de, em escala de milhões de anos, formar um novo oceano.

O fenômeno é resultado de um processo de rift continental, onde o afastamento lento e constante das placas faz com que a crosta terrestre se estique, afine e finalmente se rompa. A fenda atual é uma manifestação visível deste processo geológico em andamento.

Processo de formação de um novo oceano

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Segundo especialistas em geologia e tectônica de placas, o que se observa no Mar Vermelho é um estágio inicial de formação oceânica. Conforme as placas africana e arábica continuam a se afastar, o vale rift se aprofunda e alarga. Eventualmente, em uma escala de tempo geológica que abrange dezenas de milhões de anos, a depressão pode ficar tão profunda que as águas do oceano invadirão a área, criando um novo mar e, posteriormente, um oceano de pleno direito.

“Este é um laboratório natural para estudarmos como os oceanos nascem”, explicou um geólogo especializado em tectônica, que preferiu não se identificar. “O processo que vemos hoje no Mar Vermelho é semelhante ao que aconteceu há cerca de 200 milhões de anos, quando o supercontinente Pangeia começou a se fragmentar, dando origem aos oceanos Atlântico e Índico.”

Contexto geológico e histórico

A região do Mar Vermelho e do Vale do Rift Africano é uma das áreas geologicamente mais ativas do planeta. O Grande Vale do Rift, que se estende por milhares de quilômetros desde a África Oriental até o Oriente Médio, é um complexo sistema de falhas onde a crosta continental está sendo lentamente rasgada ao meio.

A fenda de 60 km está localizada em uma seção submarina deste sistema. O afastamento entre as placas africana e arábica é estimado em cerca de 2 a 2,5 centímetros por ano. Embora pareça insignificante, ao longo de milhões de anos esse movimento resulta em centenas de quilômetros de separação.

Implicações e monitoramento

Apesar de ser um processo extremamente lento do ponto de vista humano, o fenômeno é monitorado por cientistas. A atividade sísmica na região, embora geralmente de baixa intensidade, está diretamente relacionada ao movimento das placas e à formação da fenda.

Para os países ribeirinhos do Mar Vermelho, como Arábia Saudita, Egito, Sudão e Eritreia, o entendimento preciso desta dinâmica geológica é crucial para o planejamento de infraestruturas costeiras e subaquáticas, como cabos de comunicação, gasodutos e portos.

Enquanto a nova paisagem oceânica levará eras para se consolidar, a fenda de 60 km serve como um lembrete visível das forças titânicas e constantes que moldam a face do nosso planeta.