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Um documento histórico do século 14, escrito pelo filósofo Pierre d'Arcis, já denunciava o Santo Sudário de Turim como uma falsificação, segundo revelação de pesquisadores franceses. A peça, venerada por muitos como o pano que cobriu o corpo de Jesus Cristo, é descrita no manuscrito como uma "pintura astuta" criada para enganar fiéis e extrair dinheiro de peregrinos.

A descoberta foi feita por uma equipe da Universidade de Lyon, que analisou uma carta endereçada ao antipapa Clemente VII, datada por volta de 1389. No texto, o bispo de Troyes, Pierre d'Arcis, relata ao pontífice uma investigação sobre a origem do sudário, que na época era exibido na colegiada de Lirey, na França.

Denúncia detalhada de fraude

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No documento, d'Arcis afirma que seu predecessor, o bispo Henri de Poitiers, já havia descoberto a fraude. "Foi provado claramente por evidências e pelo testemunho do próprio artista que o pano foi pintado de maneira astuta", escreve o filósofo. Ele acrescenta que o suposto autor da falsificação confessou ter "feito este pano com a intenção de lucro, para ser mostrado como o verdadeiro sudário".

O bispo descreve a técnica usada: "A imagem foi habilmente pintada, uma afirmação feita pelo próprio artista, que através de sua arte produziu um trabalho tão engenhoso que enganaria qualquer um". A carta é considerada um dos registros mais antigos e diretos a questionar a autenticidade da relíquia.

Contexto histórico e controvérsia científica

O Santo Sudário só ganhou notoriedade mundial a partir do século 14, quando começou a ser exibido publicamente. A datação por carbono-14 realizada em 1988 por três laboratórios independentes apontou que o tecido foi confeccionado entre 1260 e 1390, período que coincide com a denúncia de Pierre d'Arcis.

Apesar das evidências históricas e científicas, o sudário permanece como um dos objetos religiosos mais estudados e controversos do mundo, atraindo milhões de peregrinos a Turim, na Itália, onde está guardado desde 1578. A Igreja Católica, atualmente, não se pronuncia oficialmente sobre sua autenticidade, tratando-o como um ícone da paixão de Cristo.

Os pesquisadores franceses destacam que a carta de d'Arcis é um testemunho crucial do ceticismo que já cercava a relíquia desde sua primeira aparição documentada. O estudo completo será publicado na revista acadêmica "Journal of Medieval History" no próximo mês.