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Flávio Bolsonaro entra na disputa presidencial e altera cenário eleitoral de 2026

Flávio Bolsonaro entra na disputa presidencial e altera cenário eleitoral de 2026

Candidatura do senador reacende polarização e coloca governo Lula em posição defensiva, segundo análise.

Redação
Redação

21 de dezembro de 2025 ·
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficializou sua candidatura à Presidência da República há menos de duas semanas, alterando significativamente o cenário político para as eleições de 2026. Sua entrada na disputa, inicialmente recebida com ceticismo por parte de analistas, é considerada "para valer" e reintroduz na corrida eleitoral o sobrenome que polarizou as últimas eleições nacionais.

A movimentação do senador força um realinhamento estratégico e coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, em uma posição diferente da esperada. Enquanto uma disputa contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tenderia a uma campanha mais moderada, a presença de Flávio Bolsonaro reacende a polarização, cenário que beneficia a candidatura do senador.

Mudança no eixo da campanha

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Especialistas apontam que, em uma reeleição, o pleito gira em torno da avaliação do governo atual. No entanto, Flávio Bolsonaro introduz "ingredientes que não estavam previstos". Seu principal desafio inicial será reacender a mobilização em massa que caracterizou o bolsonarismo em 2018 e 2022, esforço que depende mais de eventuais erros do governo Lula do que de sua capacidade imediata de atrair o chamado "eleitor médio".

Esse eleitor, descrito como apartidário e que decide seu voto com base em fatores emocionais e circunstanciais, representa cerca de 30% do eleitorado e é considerado o fiel da balança. "Ninguém, a esta altura, tem a menor ideia de quem ele escolherá quando estiver diante da urna", avalia a análise.

Governo Lula na defensiva

Enquanto Flávio Bolsonaro precisa construir um ambiente favorável "por sua própria força", o presidente Lula parte como favorito. Contudo, o governo enfrenta o desafio de encontrar a "narrativa correta" para comunicar suas realizações, conforme cobrado por Lula em reunião com ministros na Granja do Torto.

Apesar de dados positivos em algumas áreas da economia, a avaliação é de que a "maioria das 38 pastas têm muito pouco, ou quase nada, para mostrar". Setores como Justiça e Segurança Pública e Relações Exteriores são apontados como potencialmente problemáticos para a imagem governista.

Quatro fatores de risco para a reeleição

A análise destaca pelo menos quatro fatores sensíveis que, se mal administrados, podem se tornar obstáculos à reeleição de Lula. O primeiro é a percepção de proximidade entre o Planalto e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, reforçada por trocas públicas de elogios. Essa imagem pode ser explorada pela oposição como sinal de conluio contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O segundo ponto é o tratamento dado aos condenados pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023. A ampla aprovação do projeto da "dosimetria" no Congresso – 291 votos a 148 na Câmara e 48 a 25 no Senado – indica apoio social à revisão das penas, em contraste com a defesa do rigor por parte da base governista.

O terceiro fator é a política de segurança pública. A análise associa a recente vitória do candidato de direita José Antonio Kast no Chile à insatisfação popular com o tratamento dado ao crime organizado. No Brasil, a "sensação de perigo" do cidadão e a cobrança por políticas mais enérgicas podem ser determinantes.

O quarto elemento é a política externa, com o Brasil visto como isolado na América Latina, que tem presenciado uma ascensão de governos de direita. O apoio histórico de Lula ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela é citado como uma posição que "rende mais prejuízos do que benefícios eleitorais".

Contexto familiar e saúde de Jair Bolsonaro

A análise também aborda o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena na superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão do ministro Alexandre de Moraes de dificultar uma nova internação cirúrgica do ex-presidente é apontada como um fato acompanhado pelo eleitor médio e que pode ser cobrado nas urnas. Uma piora mais acentuada no quadro de saúde de Bolsonaro poderia gerar um clima de comoção entre seus apoiadores, voltando-se contra Lula.

Com a entrada de Flávio Bolsonaro, a eleição de 2026 se assemelha à de 2022, mas "com o sinal trocado: quem atacava, agora está na defensiva; e quem defendia, ganhou a prerrogativa do ataque". A história do pleito, no entanto, ainda está por ser escrita.

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