Fossa das Marianas abriga vida em condições extremas a quase 11 mil metros de profundidade
Criaturas adaptadas à escuridão e pressão imensa sobrevivem em um dos ambientes mais inóspitos do planeta.
A Fossa das Marianas, localizada no Oceano Pacífico Ocidental, é o ponto mais profundo dos oceanos, com quase 11 mil metros de profundidade. Nessa região, a pressão é tão intensa que equivale a sustentar o peso de um carro popular sobre a unha do dedão da mão, segundo especialistas. Apesar das condições severas, o local abriga formas de vida adaptadas, como pepinos-do-mar, crustáceos e bactérias.
O ambiente é caracterizado pela ausência total de luz, alimentação escassa e pressão imensa. A maior profundidade já registrada como habitada por um peixe é de cerca de 8.100 metros. A descoberta e estudo desses organismos são fundamentais para entender a vida em condições extremas, em um oceano onde cerca de 80% do território ainda não foi explorado e 91% das espécies marinhas permanecem não identificadas, conforme a Convenção sobre Diversidade Biológica.
Adaptações bizarras para a sobrevivência
As espécies que vivem nas profundezas desenvolveram características incomuns para sobreviver. “A fêmea do peixe pescador, gênero Melanocetus, é muito maior do que o macho e, quando eles se encontram, o macho penetra quase que inteiro no poro genital feminino e passa a viver dentro da fêmea até a sua morte, sobrevivendo como um parasita e fecundando seus ovos no processo”, explica Guilherme José da Cota Silva, pesquisador e ictiólogo da UNISA. Essas populações pequenas e isoladas frequentemente desenvolvem estratégias reprodutivas extremas.
Fontes de energia nas trevas
Diferente da superfície, a cadeia alimentar nas profundezas abissais não depende da luz solar. Muitas criaturas sobrevivem graças a bactérias que extraem energia de fontes hidrotermais profundas – águas superaquecidas que emergem do interior da Terra carregando minerais essenciais. Em profundidades menos extremas, por volta de 5 mil metros, é possível encontrar animais como o peixe-diabo negro, que possui dentes grandes e uma antena bioluminescente na cabeça.
Baixa diversidade em um ambiente hostil
Apesar das especulações sobre a existência de criaturas gigantes, a realidade nas zonas abissais é de uma baixíssima diversidade de espécies. “A maioria é representada por seres simples como bactérias e protozoários”, afirma Gabriel de Souza da Costa e Silva, do Instituto de Biociências da UNESP Botucatu. Organismos mais simples, como diatomáceas, foraminíferos e radiolários, também compõem a fauna local, segundo o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP).
As pesquisas contínuas nesse ambiente remoto são cruciais para ampliar o conhecimento sobre os limites da vida na Terra e os ecossistemas menos explorados do planeta. A exploração da Fossa das Marianas e de outras regiões abissais depende de tecnologias avançadas para suportar as condições extremas de pressão e escuridão.
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