Grupos que invocam o legado do histórico Partido dos Panteras Negras surgiram recentemente em protestos nos Estados Unidos, portando armas e declarando proteger comunidades negras, periféricas e imigrantes. A aparição ocorreu em meio a um clima de polarização social e debates acalorados sobre violência policial e direitos civis no país.
O grupo, que se identifica como Black Panther Party for Self-Defense (Partido das Panteras Negras para Autodefesa), foi visto em manifestações na cidade da Filadélfia. A ação aconteceu logo após um tiroteio em Minneapolis que ampliou os temores sobre a atuação de forças federais de imigração e policiamento sob a administração do presidente Donald Trump.
Autodefesa armada como resposta
Membros do grupo, alguns afirmando ter recebido treinamento de antigos integrantes do movimento original, caminharam armados entre os manifestantes. Eles citam o direito ao porte de arma, previsto na legislação americana, como base legal para suas ações de patrulhamento comunitário. "Estamos aqui para policiar a polícia e proteger nossa gente", declarou um dos organizadores, que preferiu não se identificar.
O Partido dos Panteras Negras original foi fundado em 1966 por Huey P. Newton e Bobby Seale em Oakland, Califórnia. A organização defendia a resistência armada em bairros de maioria negra como resposta direta à brutalidade policial, utilizando-se de leis locais que permitiam o porte aberto de armas.
Contexto de polarização e reações
O ressurgimento destes grupos acontece em um período de forte fragmentação social e política nos Estados Unidos. Críticos veem o uso explícito de armamento em protestos como um sinal do risco crescente de confrontos entre cidadãos, forças de segurança e milícias de diferentes vertentes, incluindo grupos de extrema direita.
Por outro lado, defensores da iniciativa argumentam que a autodefesa armada é uma medida necessária diante de abusos que, segundo eles, continuam a afetar desproporcionalmente populações negras e comunidades marginalizadas. "Quando o Estado falha em nos proteger, temos o direito de nos proteger", afirmou uma ativista comunitária em entrevista a veículos locais.
Legado e diferenças estruturais
Especialistas em movimentos sociais e segurança pública observam que, embora os grupos atuais não possuam uma estrutura centralizada e hierárquica como a do Partido dos Panteras Negras da década de 1960, há um claro reaparecimento de organizações que invocam esse legado. O fenmeno é interpretado como uma resposta a uma percepção generalizada de injustiça sistêmica nas relações entre população negra, imigrantes e órgãos de segurança.
Analistas apontam que a situação atual alimenta temores de uma escalada nas tensões domésticas. Setores da sociedade civil e agências de segurança monitoram se esses episódios poderão contribuir para um cenário ainda mais fragmentado, com interpretações radicalmente opostas sobre direitos constitucionais, violência e ordem pública.