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Minutos após o anúncio feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa no último fim de semana, uma onda de desinformação visual tomou conta das redes sociais. Vídeos de bombardeios e imagens falsas do ditador sendo detido por forças militares americanas circularam amplamente, sendo compartilhadas por centenas de milhares de pessoas e até por veículos de imprensa.

As imagens, que mostravam Maduro de terno com as mãos às costas ou vestido com pijama dentro de um avião, foram analisadas por ferramentas de inteligência artificial. O chatbot do Gemini, da Google, apontou que "toda essa imagem, ou a maior parte dela, foi criada ou editada usando o Google AI". Até o momento, apenas uma fotografia – na qual Maduro aparece com os olhos vendados e as mãos algemadas à frente do corpo – é considerada potencialmente verdadeira pela análise da jornalista Miriam Sanger, que vive em Israel.

Narrativas conflitantes e a nova fronteira da desinformação

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Nos dias seguintes ao anúncio, notícias contraditórias se espalharam. Enquanto alguns veículos afirmavam que Maduro havia "negociado" sua prisão, outros diziam que ele conseguira escapar para um bunker. Relatos também mencionaram a participação de "entidades sionistas" na operação. Este episódio ilustra um fenômeno em expansão: a desinformação gerada por aplicativos de IA capazes de criar vídeos e imagens hiper-realistas, que desafiam a capacidade humana de distinguir o real do falso.

Segundo análise do ChatGPT consultada para a reportagem, as redes sociais deixaram de ser espaços de mediação da verdade para se tornarem "campos de disputa narrativa". A ferramenta de IA argumenta que, neste ambiente, "acreditar menos não é cinismo — é sobrevivência intelectual".

O desafio de se informar na era da IA generativa

O caso da suposta captura de Maduro ocorre em um contexto em que eventos globais têm disparado ondas de desinformação que as próprias plataformas digitais desistiram de monitorar de forma eficaz. A tecnologia, que poderia ser uma aliada na verificação de fatos, tem se mostrado também uma potente impulsora de falsidades.

Especialistas alertam que a sociedade pode estar se dividindo entre aqueles que acreditam em tudo o que veem – como imagens falsas de palestinos em Gaza sob nevasca em um dia de 15°C – e os que duvidam de tudo, incluindo eventos reais. A velocidade das mudanças tecnológicas e a alteração das regras que regiam a informação criam um ambiente onde a confiança se torna um bem escasso.

A jornalista Miriam Sanger, autora do texto de referência e residente em Israel desde 2012, conclui que a maturidade intelectual no consumo de informação atualmente está diretamente ligada a um saudável ceticismo e à constante checagem de fontes, uma vez que a linha entre a verdade e a mentira na esfera digital se torna cada vez mais tênue.