Investidor Michael Burry alerta para bolha da IA que seria "grande demais para salvar"
Famoso por prever crise de 2008, ele afirma que gastos bilionários em inteligência artificial não evitarão estouro inevitável.
O investidor Michael Burry, famoso por prever e lucrar com a crise imobiliária de 2008, alertou que o atual boom da inteligência artificial (IA) é uma bolha de proporções épicas. Em publicação na rede social X, ele afirmou que o governo tentará de tudo para salvá-la, mas o problema seria "grande demais para salvar".
Burry, cuja história foi retratada no filme "The Big Short", emitiu o alerta em resposta a um post do ex-gestor de fundos George Noble, que afirmou que a OpenAI, criadora do ChatGPT, estaria "desmoronando em tempo real". Noble citou a forte concorrência de modelos como o Gemini 3, da Google, custos crescentes, prejuízos ampliados e a ação judicial movida por Elon Musk.
Gastos "sonhadores" e comparação com a bolha pontocom
"Isto não é surpreendente e não terminará com a OpenAI", respondeu Burry. Segundo ele, os vastos recursos "sendo gastos e emprestados pelas empresas mais ricas da Terra não comprarão tempo suficiente – pela própria definição de mania".
O investidor, que deixou de administrar um fundo de hedge para escrever no Substack no final do ano passado, já havia criticado a meta de gastos "sonhadora" da OpenAI de US$ 1,4 trilhão ao longo de oito anos. Em dezembro, ele comparou a empresa a um desastre da era pontocom: "A OpenAI é a próxima Netscape, condenada e sangrando dinheiro".
Contexto de um mercado superaquecido
Burry afirmou em seu Substack que ficou surpreso que a startup "deu início a uma corrida de infraestrutura de vários trilhões de dólares" e que venderia ações da OpenAI a descoberto se ela fosse uma empresa pública. A receita anualizada da OpenAI saltou de US$ 2 bilhões em 2023 para mais de US$ 20 bilhões no ano passado, conforme divulgado pela diretora financeira da empresa.
As oito empresas públicas mais valiosas dos EUA – Nvidia, Alphabet, Apple, Microsoft, Amazon, Broadcom, Meta e Tesla – são todas gigantes da tecnologia apostando pesado em IA. Cada uma tem capitalização de mercado acima de US$ 1 trilhão e, juntas, valem mais de US$ 22 trilhões.
Divergência entre especialistas e paralelo histórico
Especialistas estão divididos sobre se o boom da IA é uma revolução tecnológica ou uma euforia temporária. Jeremy Grantham, veterano investidor e historiador de bolhas, disse recentemente que as "probabilidades de que a IA não vá estourar são mínimas ou nenhuma".
Em contraste, Kevin O'Leary, estrela do "Shark Tank", e o investidor de tecnologia Ross Gerber disseram à Business Insider no outono passado que não estavam preocupados, pois a IA está impulsionando a produtividade e alimentando um crescimento rápido.
O alerta de Burry evoca o conceito de "grande demais para falhar" ("too big to fail"), usado durante a crise financeira de 2008, quando o governo americano interveio para salvar grandes bancos. A decisão de resgatar instituições financeiras gerou amplas críticas na época, especialmente porque muitos cidadãos afetados pela recessão receberam apoio limitado.
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