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Investidor Michael Burry e ator Ben Affleck unem críticas ao otimismo exagerado sobre IA
Economia e Negócios

Investidor Michael Burry e ator Ben Affleck unem críticas ao otimismo exagerado sobre IA

Em entrevista, astro de Hollywood questiona retórica de empresas de tecnologia para justificar altos investimentos no setor.

Redação
Redação
19 de janeiro de 2026

O investidor Michael Burry, famoso por prever a crise do subprime em 2008, encontrou um aliado improvável em sua visão cética sobre o boom da inteligência artificial: o ator e cineasta Ben Affleck. Em entrevista ao podcast "The Joe Rogan Experience", o astro de Hollywood ecoou as críticas de Burry sobre os grandes investimentos e promessas revolucionárias feitas por gigantes de tecnologia em torno da IA.

Affleck argumentou que parte da retórica exagerada sobre o potencial da tecnologia serve para justificar os altos valores de mercado e os gastos de capital (capex) necessários para construir novos data centers. "Acho que muita dessa retórica vem de pessoas que estão tentando justificar as avaliações das empresas", afirmou o ator.

Crítica à evolução e ao valor social da IA

O vencedor do Oscar por "Gênio Indomável" foi além da análise financeira e criticou a qualidade do conteúdo gerado pela IA. "A escrita dos chatbots de IA de hoje é realmente ruim e não é confiável. Eu simplesmente não suporto ver o que ela escreve", declarou Affleck, que também dirigiu e estrelou o vencedor do Oscar de Melhor Filme, "Argo".

Ele previu que a tecnologia será usada no cinema como uma ferramenta para economizar tempo e dinheiro, similar aos efeitos visuais, mas duvidou que ela seja capaz de "escrever algo significativo" ou criar filmes inteiros. Affleck também questionou o valor social de pessoas que usam chatbots como companheiros virtuais, que apenas "dizem que você é ótimo e ouvem tudo o que você diz".

Burry endossa visão e alerta para bolha

As declarações foram endossadas por Michael Burry, que as republicou em sua conta no X (antigo Twitter) no último fim de semana. "Ben Affleck é claramente um cara inteligente. Então isso não me surpreende. Soa familiar e preciso", escreveu o investidor.

Burry retomou sua atividade pública no final do ano passado após mais de dois anos de silêncio virtual, focando em alertas sobre uma perigosa bolha na IA. Sua tese central é que as ações do setor estão supervalorizadas, os investimentos maciços em chips e data centers se tornarão rapidamente obsoletos e a tecnologia será commoditizada, não gerando o retorno esperado.

Em uma postagem recente, ele foi direto: "o retorno sobre o investimento continuará a cair, quase todas as empresas de IA irão à falência, e grande parte dos gastos com IA será baixada". Burry, cuja história foi imortalizada no livro e no filme "A Grande Aposta" (The Big Short), também fechou seu fundo de hedge para capital externo para se dedicar à análise financeira.

Contexto histórico e paralelos

O ceticismo de Affleck e Burry contrasta com o otimismo e os investimentos bilionários de empresas como Microsoft, Google e Meta no setor. Affleck argumentou que a adoção histórica de novas tecnologias tem sido "lenta" e incremental, e que cada novo modelo de IA é apenas moderadamente melhor que o anterior, exigindo muito mais eletricidade e dados para funcionar.

Curiosamente, Christian Bale, predecessor de Affleck no papel do Batman no cinema, interpretou Michael Burry na adaptação cinematográfica de "A Grande Aposta". Agora, o atual Homem-Morcego da DC une sua voz à do investidor em um novo alerta, desta vez sobre o futuro da inteligência artificial.

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