A plataforma de data centers QTS, adquirida pela Blackstone em 2021, foi o principal responsável pelos ganhos no portfólio de US$ 1,3 trilhão da gigante de investimentos em 2025. Os resultados divulgados nesta quarta-feira (29) mostram que as apostas da empresa em infraestrutura digital, impulsionadas pelo boom da inteligência artificial, renderam retornos expressivos enquanto outros segmentos, como imóveis e crédito privado, enfrentaram dificuldades.
Em teleconferência para discutir o desempenho anual, Stephen Schwarzman, cofundador e presidente da Blackstone, afirmou que a QTS é agora "a maior plataforma de data centers do mundo". Jon Gray, presidente da empresa, destacou que o interesse dos investidores em IA foi um dos principais motivos para os fortes influxos de capital, que totalizaram US$ 239 bilhões no ano, o maior volume desde o recorde de 2021.
Infraestrutura lidera retornos
A plataforma de infraestrutura da Blackstone, impulsionada pela valorização dos data centers, cresceu 40% no ano, atingindo US$ 77 bilhões. Os investimentos nesse setor renderam 8,4% no último trimestre e 23,5% no acumulado do ano. "Você tem o que está acontecendo no mundo da IA, a economia crescendo mais rápido, a produtividade aumentando, e nós investindo em setores de que realmente gostamos", disse Gray. "Achamos que isso vai realmente fazer esta roda-gigante girar, que é por isso que você ouve este otimismo."
O fundo imobiliário focado no varejo da empresa, o Blackstone Real Estate Income Trust (BREIT), que tem US$ 54 bilhões em ativos e está fortemente investido na QTS, gerou retorno de 8,1% no ano, mais que o dobro do benchmark do setor. Em contraste, os investimentos imobiliários em geral foram o segmento mais fraco, com perda de 0,6% para a estratégia oportunista e ganho de 3% para os ativos principais.
Estratégia focada em IA e energia
Schwarzman afirmou que a empresa continuará a "investir pesadamente em áreas temáticas-chave, como infraestrutura digital, incluindo data centers, energia e eletrificação, e crédito privado". Ele destacou que "o ritmo histórico de investimento nos EUA para facilitar o desenvolvimento da inteligência artificial, incluindo o design e fabricação de semicondutores, construção de data centers e expansão da geração de energia, é o principal motor do crescimento econômico hoje".
Gray acrescentou que a plataforma de imóveis de US$ 319 bilhões da empresa continuará a investir em infraestrutura de IA e data centers. No crédito privado, ele afirmou que a corrida pela IA e os gastos relacionados, que exigirão centenas de bilhões de dólares, também alimentarão os negócios da empresa. "A construção da infraestrutura de IA requer uma quantidade massiva de capital de dívida privada para a construção de fabs, suprimento de energia e data centers", explicou Gray, referindo-se às fábricas de chips.
Expansão do portfólio e desafios
A carteira de crédito privado da Blackstone totaliza agora US$ 130 bilhões, um aumento de 30% durante o ano. No entanto, Gray reconheceu que o BCRED, um de seus maiores fundos de crédito, teve um "aumento nos resgates" ligado a preocupações do setor sobre riscos de inadimplência.
Além da QTS, comprada originalmente por US$ 10 bilhões, a Blackstone investiu em desenvolvedoras de IA como a Anthropic e a OpenAI, na provedora de armazenamento e computação de alto desempenho DDN, e em empresas de energia. Em 2024, a empresa fez parte de um grupo de investidores que concedeu um empréstimo de US$ 7,5 bilhões à operadora de data centers CoreWeave. No ano passado, anunciou a aquisição de US$ 11,5 bilhões da holding de utilities TXNM Energy.
A Blackstone reportou receita de US$ 14,5 bilhões para o ano e US$ 4,4 bilhões para o trimestre, altas de 9% e 42%, respectivamente.