Imagine sentar na frente de um dos investidores mais disputados do Vale do Silício e, em apenas 20 minutos, convencê-lo a colocar dezenas de milhões na sua empresa. Parece roteiro de filme? Pois foi exatamente isso que aconteceu com a indiana Anjali Sardana, de apenas 24 anos.
A reunião aconteceu em fevereiro, em São Francisco, através de uma conexão em comum. O investidor era Lachy Groom, um dos nomes mais badalados do mercado de solo investors – aqueles que apostam sozinhos em startups promissoras. E o resultado foi estrondoso: um cheque de US$ 20 milhões (cerca de R$ 120 milhões) para a Pronto, sua plataforma de serviços domésticos sob demanda.
O mais impressionante? O valuation da startup dobrou em apenas dois meses, chegando a US$ 200 milhões após o aporte. Como uma jovem empreendedora conseguiu tamanha façanha?
O segredo que fez o investidor parar tudo para ouvir
Segundo Groom, o que o fisgou foi a ambição ousada de Sardana: construir a maior plataforma do mundo para organizar trabalho doméstico, começando pela Índia – um mercado gigantesco e ainda extremamente fragmentado. "O trabalho por trás disso é genuinamente difícil, e a maioria das tentativas em categorias adjacentes fracassou por falta de disciplina operacional", explicou o investidor.
Mas ele foi além nos elogios: disse que a fundadora e sua equipe estavam operando "em um nível que não vi em nenhum outro lugar nesse espaço". Pesado, né?
Antes de fundar a Pronto em 2025, Sardana passou pelo Bain Capital e pela venture 8VC, onde aprendeu na prática o que faz uma startup decolar. A plataforma conecta famílias a trabalhadores para tarefas do dia a dia, como limpeza e reparos básicos – algo que parece simples, mas que exige uma logística complexa para funcionar em escala.
O método infalível de um investidor que só aposta em fundadores
Para quem quer saber como conquistar um investidor desse calibre, Sardana revelou o segredo: "Ele avalia duas coisas. Uma é o fundador, e isso conta 95%. Se ele ama o fundador, ele investe." O resto? O tamanho e o potencial do negócio.
A aposta de Groom chega em um momento em que startups indianas correm para dominar o mercado de serviços domésticos instantâneos – uma categoria que cresce em ritmo acelerado entre famílias urbanas. E os números comprovam: um relatório do Bank of America estima que esse mercado pode atingir entre US$ 15 bilhões e US$ 18 bilhões até o final da década.
A concorrência, porém, é feroz. Empresas como Snabbit e Urban Company's InstaHelp disputam cada cliente com pesados investimentos e preços agressivos. Segundo o banco, Snabbit e InstaHelp detêm cerca de 40% do mercado cada, enquanto a Pronto tem aproximadamente 20% – mas crescendo rápido.
O desafio de crescer sem parar: demanda supera oferta
Apesar de estar atrás dos gigantes, a Pronto vem acelerando: saltou de 18 mil agendamentos por dia para 26 mil em pouco mais de um mês. A estratégia? Fidelizar o usuário, transformando demanda ocasional em hábito. Os 10% melhores clientes já respondem por 40% dos pedidos.
Mas nem tudo são flores. Para atender a essa explosão, a startup expandiu sua rede de prestadores de serviço de 1.440 para 6.500 trabalhadores desde janeiro. Ainda assim, Sardana admite que a demanda continua superando a oferta – e que prever a capacidade é o maior desafio agora.
O mercado deve continuar "queimando dinheiro" pelos próximos dois ou três anos, segundo analistas. Mas, com um investidor apaixonado no comando e uma fundadora de apenas 24 anos, a Pronto parece pronta para virar o jogo. E você, já pensou no tamanho da sua ambição?