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Você já imaginou entrar na universidade, cheia de sonhos, e descobrir que, nos bastidores, colegas estão te classificando como “estuprável”? Pois foi exatamente isso que aconteceu na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. E a história não para por aí.

O que aconteceu dentro da UFMT?

A denúncia chegou à coordenação do curso por um canal de WhatsApp. A partir dali, uma investigação interna foi aberta para apurar se as mensagens eram reais. O resultado? A direção da faculdade decidiu afastar provisoriamente um estudante, citando a “gravidade dos fatos” e o “possível risco às alunas” mencionadas nas conversas.

Segundo o Centro Acadêmico VIII de Abril, que representa os alunos de Direito, as mensagens circulavam em aplicativos e discutiam a criação de uma lista que classificava alunas ingressantes como “estupráveis”. Mais: havia comentários sobre a intenção de “molestar colegas”. A entidade divulgou uma nota de repúdio, aprovada em assembleia na última segunda-feira (04), classificando o comportamento como ofensivo e violento contra mulheres.

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Medidas imediatas e o que diz a polícia

A faculdade não só afastou o aluno, como também determinou medidas de proteção para as alunas possivelmente afetadas, incluindo acompanhamento institucional e canais de comunicação diretos com garantia de confidencialidade. A apuração segue as regras da lei, respeitando o direito de defesa do estudante e mantendo sigilo, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados.

Procurada, a Polícia Civil de Mato Grosso informou que, até o momento, não encontrou registro de boletim de ocorrência sobre o caso. Ou seja, a investigação está nas mãos da própria universidade — por enquanto.

Um contexto que assusta: não é a primeira vez

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A entidade estudantil lembrou que as denúncias surgem em meio a outros relatos de assédio no ambiente universitário. O texto cita um caso ocorrido no ano anterior, quando uma mulher foi estuprada e assassinada dentro do campus. Uma lembrança que transforma a lista de “estupráveis” em algo ainda mais aterrorizante.

O Centro Acadêmico de Administração (CAAD) também se posicionou, defendendo uma investigação rigorosa e punição dos responsáveis, caso os fatos sejam confirmados. As denúncias, segundo o grupo, envolvem conteúdos de extrema violência contra mulheres, principalmente alunas que estão ingressando na universidade.

O que a lei brasileira diz sobre isso?

O caso ocorre quase dois meses após o Senado Federal aprovar o Projeto de Lei 896/2023, que criminaliza a misoginia — a conduta que expressa ódio ou aversão às mulheres. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Mas ela ainda precisa ser votada na Câmara dos Deputados.

Atualmente, a legislação trata casos de misoginia como injúria ou difamação, com penas de até um ano de reclusão. Ou seja, se aprovado, o novo PL pode mudar drasticamente a forma como crimes como esse são punidos. A pergunta que fica é: até quando a sociedade vai esperar para agir?