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Lei federal obriga liberação de arquivos de Epstein após 30 dias nos EUA

Lei federal obriga liberação de arquivos de Epstein após 30 dias nos EUA

Norma aprovada pelo Congresso retirou do governo discrição sobre divulgação e impôs prazo rígido para tornar documentos públicos.

Redação
Redação

24 de dezembro de 2025 ·
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Os arquivos ligados ao caso do financista Jeffrey Epstein foram liberados publicamente nos Estados Unidos devido a uma nova lei federal que estabeleceu um prazo obrigatório de 30 dias para a divulgação. A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada em 19 de novembro, transformou a liberação dos registros sob custódia do Departamento de Justiça e do FBI em uma obrigação legal, encerrando anos de divulgações fragmentadas.

A norma foi aprovada com apoio bipartidário no Congresso e determinou que todas as informações não classificadas relacionadas a Epstein e sua ex-companheira Ghislaine Maxwell fossem disponibilizadas em formato pesquisável. O texto legal também proibiu explicitamente que documentos fossem retidos por razões políticas, constrangimento institucional ou para proteger a reputação de autoridades.

Fim da discricionariedade do Executivo

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Antes da nova legislação, os documentos sobre o caso circulavam de forma dispersa há mais de 20 anos, liberados apenas por meio de processos civis, decisões judiciais pontuais ou investigações paralelas. O governo federal alegava entraves técnicos, volume elevado de dados e necessidade de revisões jurídicas extensas para justificar a lentidão.

Estimativas apontavam mais de 300 gigabytes de arquivos armazenados apenas no sistema eletrônico do FBI, incluindo vídeos, fotos, áudios e registros escritos. Com a imposição legal do prazo de 30 dias, válido automaticamente após a sanção, essas justificativas deixaram de ser aceitas.

Conteúdo sem filtro de credibilidade

Outro fator que explica a natureza da divulgação é o escopo da lei. O texto não exige que o material seja previamente verificado, contextualizado ou validado, apenas que seja tornado público. Isso incluiu denúncias anônimas, e-mails internos, rascunhos investigativos e comunicações que nunca resultaram em acusações formais.

O Departamento de Justiça reconheceu, ao divulgar o material, que parte dos documentos contém alegações falsas ou não corroboradas. No entanto, afirmou que a legislação não permite filtrar conteúdos com base em credibilidade, apenas aplicar redações legais para proteger vítimas e investigações em curso.

Contexto político e próximos passos

O debate sobre a transparência dos arquivos ganhou tração em meio ao ambiente eleitoral nos Estados Unidos e ao uso recorrente do caso Epstein como instrumento de disputa política. Parlamentares alegaram que a falta de transparência alimentava especulações e versões contraditórias, muitas exploradas nas redes sociais.

A sanção da lei ocorreu apesar da resistência do presidente Donald Trump, que tentou barrar a proposta, mas acabou cedendo diante da maioria formada no Congresso. O momento da divulgação não significa o surgimento de fatos novos, mas sim uma mudança institucional: o Congresso retirou do Executivo o controle sobre o ritmo da transparência.

O caso entrou agora em uma fase distinta, em que o foco deixa de ser a investigação criminal, encerrada sem novas acusações, e passa a ser a análise pública, política e histórica do acervo. Mesmo com a liberação do maior lote já divulgado, autoridades admitem que ainda existem documentos fora do alcance da lei, como registros bancários privados, indicando que novas revelações podem ocorrer.

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