Um post viral na rede social X reacendeu o debate sobre a seção de interesses pessoais em currículos. A publicação, de um usuário que se identifica como analista de tecnologia e que revisava currículos para uma vaga no setor bancário, criticou um candidato que listou "azeite de oliva" como um hobby, afirmando que isso não constituía um interesse legítimo e que a pessoa não seria chamada para entrevista.
A reação online foi imediata e dividida. Enquanto alguns zombaram da escolha, perfis corporativos como o da empresa de criptomoedas Coinbase e um funcionário da xAI, de Elon Musk, manifestaram interesse em conversar com o profissional que tem o azeite como paixão. O caso levanta questões sobre o que é apropriado e estratégico incluir na parte de hobbies de um currículo.
Recrutadores analisam a estratégia
Especialistas em recrutamento ouvidos pelo Business Insider apresentaram opiniões divergentes. Paula Mathias Fryer, diretora sênior da SLO Partners com 15 anos de experiência, disse que a menção isolada soa estranha, mas seria mais compreensível se fosse especificada, como "degustador" ou "produtor" de azeite. Brianne Sterling, diretora da Selby Jennings em Nova York, concorda que falta contexto. "Se alguém fabricasse seu próprio azeite, eu acharia isso realmente interessante", afirmou.
Margaret Buj, recrutadora principal da Mixmax em Londres, considerou o hobby "estranho", mas preferível a respostas genéricas como "viajar" ou "ler". Já Matt Stevenson, diretor-gerente da agência de executive search 33eleven, enxerga o valor em um hobby peculiar para criar conexão, mas alerta para o risco de não agradar ao revisor específico do currículo.
O valor (e o risco) dos hobbies no currículo
Com o espaço limitado em um currículo de uma página, a utilidade de listar interesses que não demonstram experiência profissional direta é questionada. Paula Mathias Fryer mudou sua posição recentemente: antes via os hobbies como menos profissionais, mas agora, com a inundação de currículos padronizados gerados por IA, acredita que os candidatos devem fazer "o que puderem para se destacar".
Matt Stevenson, no entanto, mantém uma visão cautelosa. "Você não sabe quem vai revisar aquele currículo, quais são os hobbies dele e como é sua personalidade", ponderou. Ele sugeriu que, no lugar do usuário do X que não parava de pensar no candidato do azeite, ele "pegaria o telefone e ligaria para o cara" para sanar a curiosidade.
O que evitar e o que considerar
Os especialistas são unânimes em apontar temas proibidos: política, religião e qualquer assunto que não seria discutido à mesa de jantar. Para Brianne Sterling, hobbies comuns no setor bancário que ela vê com frequência incluem futebol, basquete, viagens e história da Segunda Guerra Mundial.
A conclusão é que não há uma regra universal. A aceitação de um hobby incomum como "azeite de oliva" depende inteiramente do recrutador que está do outro lado, tornando sua inclusão uma decisão que pode tanto gerar curiosidade positiva quanto criar uma barreira involuntária.