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Você deixaria seu filho de 11 anos assistir a uma série onde personagens discutem abertamente sobre sexo e relacionamentos? Pois uma mãe americana não só deixou como transformou isso no pilar da relação com o filho.

O ritual que começou na crise

Tudo começou em 2020, após um divórcio. Enquanto o irmão mais novo dormia, mãe e filho de 6 anos ganhavam uma hora só para eles. A escolha? "Once Upon a Time". O que ela não esperava era que aquela série infantojuvenil abriria portas para conversas sobre divórcio, famílias mistas e regulação emocional.

"Percebi que assistir TV juntos nos dava uma oportunidade única de conexão", conta a mãe ao Business Insider. A partir daí, ela passou a escolher a dedo séries que já amava, esperando que fossem ricas em conteúdo para diálogo.

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De "Good Omens" a "Hunger Games": o que eles realmente assistem

A lista de séries é surpreendente para uma criança de 11 anos: "Good Omens", "Heartstopper", "Schitt's Creek" e até trechos selecionados de "Heated Rivalry" — uma série com classificação etária para adultos. A mãe admite que mostrou ao filho apenas edições do TikTok e compilações de cenas sem nudez ou sexo explícito.

O resultado? Conversas profundas sobre representação LGBTQIA+, os desafios que essa comunidade enfrentou no passado e hoje. Quando assistiram "Lost", discutiram a arrogância humana e a mortalidade. Com "Gilmore Girls", falaram sobre dinâmicas parentais e decisões questionáveis da protagonista. Já "Hunger Games" rendeu um papo sobre fascismo e o peso de ser a filha mais velha.

O dado que choca: 40 a 75% das crianças já viram pornografia aos 12 anos

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Segundo o Child Mind Institute, a exposição precoce a conteúdo sexual é uma realidade para a maioria das crianças. A mãe enxerga nesse ritual uma alternativa segura: "Espero criar um espaço para falar sobre sexo e relacionamentos que não seja baseado em conteúdo exploratório, gráfico ou violento".

Ela admite que, quando o assunto é muito pesado, "coloca um alfinete" e deixa para outro momento. Mas a regra é clara: nada é tabu. "Quando algo é inapropriado — quase sempre sexual —, conversamos sobre isso", explica.

O segredo do sucesso: filtrar pela ficção

A mãe descobriu que trazer temas difíceis diretamente fazia o filho se fechar. Mas, quando filtrados pela lente da ficção, o diálogo flui naturalmente. O menino, hoje com 11 anos, não a odeia nem a acha constrangedora — pelo contrário, eles têm piadas internas, trocam memes e vídeos do YouTube.

"Acho que assistir a essas séries adultas fortaleceu nosso relacionamento e nos deu uma linguagem compartilhada para discutir nossos sentimentos", conclui. "Além disso, tornou-se minha parte favorita do dia."