Uma pesquisa realizada pela Bloomberg com 151 gestores quantitativos entre abril e novembro de 2023 revelou que a maioria ainda não integrou ferramentas de inteligência artificial generativa em seus processos de pesquisa para investimentos. Segundo o estudo, 54% dos entrevistados não incorporam a tecnologia em seus fluxos de trabalho.
O levantamento confirma um ceticismo previamente reportado no setor. Em outubro, participantes de uma conferência em Londres expressaram dúvidas sobre a capacidade da IA generativa de superar o mercado e agregar valor real às estratégias de investimento.
Exigência por dados estruturados atrasa adoção
De acordo com Angana Jacob, chefe global de dados de pesquisa da Bloomberg, a adoção lenta está centrada na formatação e estruturação dos dados. Em entrevista ao Business Insider, Jacob explicou que os gestores quantitativos operam em ambientes de pesquisa controlados, onde os modelos precisam ser explicáveis e replicáveis.
"Eles trabalham em um ambiente de pesquisa muito controlado, os modelos precisam ser explicáveis, os modelos precisam ser repetíveis", afirmou Jacob. Ela destacou que a preparação dos conjuntos de dados para uso é um trabalho "pouco glamoroso", mas "fundamental", especialmente considerando os grandes volumes de capital em risco em caso de erro.
Esforços para viabilizar a integração
A equipe de Jacob na Bloomberg está desenvolvendo produtos de dados específicos para quantitativos, com o objetivo de aumentar a adoção de IA no futuro. A executiva acredita que o entusiasmo pelo potencial da tecnologia é alto, mas sua implementação depende de uma base de dados adequada.
"É uma coisa boa, mostra a cautela deles", comentou Jacob sobre a postura cuidadosa dos gestores. A falta de uso generalizado, na visão dela, é mais um sinal da diligência desses profissionais do que de uma rejeição à tecnologia.
Iniciativas do mercado para superar o desafio
A Bloomberg não é a única empresa identificando essa barreira. A startup Carbon Arc, fundada pelo ex-executivo de dados da Point72, Kirk McKeown, também está focada em estruturar conjuntos de dados para facilitar sua ingestão por modelos de inteligência artificial. O movimento indica um reconhecimento setorial de que a qualidade e a organização dos dados são pré-requisitos para uma adoção mais ampla da IA generativa no universo dos investimentos sistemáticos.