Uma mala guardada há mais de um século no cofre de um banco no Canadá revelou o paradeiro de um dos tesouros reais mais emblemáticos considerados perdidos: a coleção particular de joias da família Habsburgo. A descoberta foi divulgada pelo neto da última imperatriz, que cumpriu um segredo familiar mantido por gerações.
A coleção pertenceu à Imperatriz Zita, última a deter o título na Áustria-Hungria. Ela fugiu com a família para o Canadá em 1940, durante a invasão nazista à Bélgica, levando consigo a mala com as joias. Zita revelou a existência do tesouro aos parentes, mas pediu que o local fosse mantido em sigilo até 100 anos após a morte do marido, o Imperador Carlos, ocorrida em 1922.
Segredo familiar cumprido e tesouro revelado
A iniciativa de tornar público o paradeiro partiu de Karl von Habsburg-Lothringen, neto da imperatriz. Ele informou que as joias agora pertencem a um fundo fiduciário – um acordo legal para que um terceiro gerencie um patrimônio em favor de beneficiários. A geração que herdou o segredo abriu o cofre e solicitou a um especialista que examinasse o conteúdo da mala.
Entre as peças encontradas estão broches cravejados de diamantes, alfinetes de chapéu nas cores nacionais da Hungria e laços adornados com diamantes de lapidação antiga e safiras amarelas. A joia mais notável, porém, é o Diamante Florentino, uma pedra de 137 quilates com coloração amarelo-pálido e lapidação dupla em rosa.
História de um diamante imperial
O Diamante Florentino tem uma trajetória que atravessa cortes europeias. Ele integrou a coleção da família italiana Medici antes de passar para os Habsburgos por meio de um casamento. No século XVIII, tornou-se parte das joias da coroa austríaca e era usado pela imperatriz Maria Teresa em eventos especiais.
Com o colapso do Império Austro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial, o Imperador Carlos enviou parte das joias para a Suíça. Pouco depois, o diamante desapareceu dos registros públicos, alimentando boatos de que teria sido roubado, relapidado ou vendido. Sua redescoberta põe fim a décadas de mistério.
Futuro das joias e possível disputa
Os descendentes da Imperatriz Zita manifestaram o desejo de expor a coleção ao público como forma de agradecer ao Canadá por ter acolhido a família. O plano é emprestar as joias para uma exposição em um museu canadense, após a qual as peças retornarão ao depósito.
Enquanto isso, autoridades austríacas já avaliam a quem deve pertencer o Diamante Florentino, uma questão que pode gerar disputas entre os herdeiros dos Habsburgos e o governo da Áustria sobre a posse das relíquias históricas da família imperial.