A marca de moda feminina Elisamama, fundada pela nigeriana Fisayo Che, enfrenta uma crise financeira após a rede de departamentos Saks entrar com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos em janeiro. A empresa, que chegou a representar mais da metade do faturamento da marca, acumula uma dívida de seis dígitos com a Elisamama, levando a fundadora a considerar cortar metade de sua equipe para manter o negócio viável.
Fisayo Che, que deixou seu emprego corporativo em 2024 para se dedicar integralmente à marca, confirmou ao Business Insider o valor devido pela Saks, documentado com comprovantes. A Saks Global afirmou, em comunicado, que está comprometida com os "relacionamentos de confiança com parceiros" e que o financiamento obtido através do processo de recuperação judicial irá "facilitar os pagamentos futuros aos parceiros".
Parceria que começou pelo Instagram
A relação comercial começou no outono de 2020, quando um vice-presidente da Saks entrou em contato com Che via direct message no Instagram após uma indicação. Inicialmente desconfiada, a empreendedora acabou aceitando a parceria, que se tornou um catalisador para o crescimento da Elisamama. "A Saks realmente caminhou ao nosso lado, nos deu orientação e nos ajudou a mergulhar lentamente em seu mundo", relatou Che.
A marca, que produz roupas femininas e infantis inspiradas na arte africana, expandiu sua produção no país, contratou mais artesãos e viu suas vendas dispararem. Em 2023, a Elisamama foi selecionada para o programa New Wave da Saks, voltado para designers emergentes, o que incluiu uma bolsa, conexões com a imprensa e a exposição de seus produtos na vitrine da loja principal da Saks em Nova York.
Problemas começaram com pagamentos parcelados
Os atrasos nos repasses começaram em fevereiro de 2023, quando a Saks enviou um memorando aos fornecedores informando sobre pagamentos em parcelas. Até então, os pagamentos ocorriam dentro dos prazos combinados. Após receber um cheque de algumas centenas de dólares em julho e um valor mais substancial em agosto, Che acreditou que a situação estava normalizada e continuou a enviar mercadorias. No entanto, novos pagamentos não foram realizados.
"Cumprimos dois pedidos adicionais depois disso, operando com fé de que as coisas se resolveriam adequadamente. A empresa continuou dizendo que nos daria atualizações", afirmou a fundadora. A situação se agravou com o anúncio da recuperação judicial da Saks em janeiro de 2024, quando a empresa informou que priorizaria dívidas contraídas após 13 de janeiro.
Impacto humano e estratégias de sobrevivência
A Elisamama emprega 20 pessoas em tempo integral na Nigéria, além de consultores e contratados. O montante devido pela Saks tem um impacto significativo na operação. "Estou considerando cortar metade de nossa equipe para permanecer viável", revelou Che.
Para proteger seu negócio, a empreendedora tem buscado expandir parcerias e canais de venda, incluindo a venda para varejistas como Shopbop e Tuckernuck. Em relação à Saks, Che adotou uma postura mais cautelosa: "Contei aos compradores que qualquer remessa futura teria que ser paga antes do envio. Também estou considerando pedir que devolvam o estoque que têm em mãos, para pelo menos reduzir nossas perdas".
Ruptura de confiança e futuro incerto
Apesar de reconhecer a importância da Saks no mercado da moda, Fisayo Che declarou que a confiança foi abalada. "Quero ver a Saks vencer, mas não acredito mais na empresa. Estamos sentados sobre o pedido mais recente da Saks, dada a situação", disse.
Para a fundadora, a restauração da confiança depende de ações concretas. "A Saks precisa restaurar a confiança com seus fornecedores colocando dinheiro por trás de seus pedidos. Se fizesse isso, as marcas continuariam a enviar mercadorias porque ela é importante assim", concluiu Che, descrevendo a situação como uma mistura de decepção, luto e tristeza.