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A Marinha dos Estados Unidos está investindo na impressão 3D, ou manufatura aditiva, para acelerar a construção e manutenção da sua frota e reduzir custos, após conquistas significativas no ano passado. A tecnologia foi declarada oficialmente como uma "capacidade de combate" em 2025, segundo comunicado do Comando de Sistemas Navais de Superfície (NAVSEA).

Dois marcos recentes envolveram a instalação de componentes impressos em 3D em suas embarcações mais complexas e requisitadas: um porta-aviões da classe Ford e um submarino de ataque da classe Virginia. A iniciativa visa contornar problemas crônicos na cadeia de suprimentos, como longos prazos de entrega e escassez de materiais.

Casos de sucesso em navios emblemáticos

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Em um dos casos, a construtora naval Huntington Ingalls Industries (HII) instalou um componente metálico de válvula impresso em 3D dentro de uma sala de bombas no novo porta-aviões USS Enterprise. Planos similares estão em andamento para os colectores (manifolds) do futuro USS Doris Miller, substituindo métodos tradicionais de fundição que levam mais tempo.

Dave Bolcar, vice-presidente de engenharia e design da divisão Newport News Shipbuilding da HII, afirmou: "O que começou como uma prova de conceito rapidamente se transformou em um resultado tangível que está fazendo uma diferença significativa para melhorar a eficiência na construção naval".

Paralelamente, a mesma divisão instalou uma peça impressa em 3D em um submarino da classe Virginia. A peça atendeu a todos os rigorosos padrões exigidos para componentes de submarinos, que devem suportar as operações em águas profundas.

Economia drástica em manutenção de rotina

O uso da tecnologia também tem gerado economias expressivas em centros de manutenção. Em agosto, o Centro de Manutenção Regional Sudeste da Marinha produziu um rotor de resfriamento para bomba de água gelada de um contratorpedeiro da classe Arleigh Burke.

Como a peça não estava disponível para compra separada no sistema de suprimentos da Marinha – que exigiria a aquisição de uma bomba nova inteira –, a equipe adaptou-se. O protótipo custou US$ 17,63 e a lâmina final, US$ 131,21. A substituição do rotor inteiro teria custado US$ 316.544,16, segundo a Marinha.

Expansão planejada e visão estratégica

Com os sucessos iniciais, a Marinha planeja expandir o uso da manufatura aditiva, certificando mais componentes para o processo. O almirante Jim Kilby, então chefe interino de operações navais dos EUA, declarou no ano passado que a tecnologia continuará a se espalhar por estaleiros, fábricas e organizações de apoio.

"Toda vez que imprimimos em 3D uma peça que, de outra forma, levaria 40 semanas para ser adquirida, estamos colocando mais capacidade de volta em campo", disse Kilby. "Isso é prontidão real e mensurável".

Além da Marinha, as demais forças armadas americanas estão adotando a impressão 3D. O Exército a vê como essencial para soldados construírem e repararem drones na linha de frente, os Fuzileiros Navais como forma de aliviar a carga logística, e a Força Aérea para produzir peças mais leves e acelerar reparos em aeronaves.