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MBA de Harvard, sonho imigrante e volta à China: a jornada de Sally Tian para ser sua própria chefe

MBA de Harvard, sonho imigrante e volta à China: a jornada de Sally Tian para ser sua própria chefe

Após carreira corporativa previsível, ex-consultora de 30 anos escolheu Shanghai para empreender com fundo de busca por empresas familiares.

Redação
Redação
19 de janeiro de 2026

Sally Tian, 30, formada em MBA pela Harvard Business School em 2024, decidiu abandonar o "sonho imigrante" corporativo para retornar à China e iniciar um fundo de busca (*search fund*) com o namorado. A decisão, tomada após quase três anos trabalhando em uma grande empresa de tecnologia chinesa e vivenciando lockdowns em Shanghai, foi motivada pelo desejo de ser sua própria chefe e adquirir um negócio para administrar.

Nascida em Guangzhou, Tian viveu no Canadá dos 10 aos 15 anos e depois retornou para estudar em uma escola internacional na China. Sua carreira começou em consultoria em Toronto, mas a previsibilidade a levou a se mudar para Beijing em 2020. Em setembro de 2024, o casal se estabeleceu em Shanghai, escolhida pela rede de investidores e oportunidades de negócio.

O modelo de negócio e a oportunidade na China

Um fundo de busca é um modelo no qual empreendedores buscam e adquirem uma pequena ou média empresa para operar. Nos EUA e Canadá, investidores aplicaram cerca de US$ 1,45 bilhão nesse tipo de fundo nos últimos quatro anos, segundo relatório de 2024 da Universidade Stanford que analisou 681 fundos desde 1984.

Tian vê uma oportunidade única na China, onde o modelo é menos comum. Seu foco é amplo, abrangendo serviços B2B, franquias B2C e manufatura. Ela aponta que muitos donos de negócios familiares da primeira geração estão na faixa dos 60 ou 70 anos e buscam um plano de sucessão, já que seus herdeiros podem não querer assumir a empresa.

Dados de 2023 da Federação Nacional da Indústria e Comércio da China mostram que empresas privadas representam mais de 90% de todas as companhias no país, e cerca de 80% dessas firmas privadas são negócios familiares.

Raízes reconectadas e uma nova perspectiva

A mudança para Shanghai também teve um impacto pessoal profundo. O casal alugou um apartamento de três quartos por 8.900 yuans mensais (cerca de US$ 1.270), em um bairro a 40 minutos do centro com forte presença de expatriados.

Tian afirma que retornar à China a ajudou a reconectar-se com suas raízes e a entender melhor as lutas de seus pais, que imigraram para o Canadá. "Crescer como imigrante no Canadá mudou a dinâmica familiar muito cedo, porque todos estavam focados em sobreviver em um novo país", disse ela à Business Insider.

Ela descreve um processo de adaptação que a fez repensar sua própria identidade. "Há um comportamento social em que você sente que precisa diminuir sua própria identidade para se adaptar à cultura principal", explicou. Trabalhar na China a forçou a entender como seus colegas pensavam, um processo que a tornou mais empática.

Vantagem competitiva e o futuro

Para Tian, empreender na China oferece uma vantagem cultural decisiva. Ela acredita que o sucesso de um fundo de busca nos EUA dependeria muito da construção de relacionamentos com vendedores potenciais, o que seria mais desafiador devido a diferenças culturais. "Não acho que eu conseguiria me conectar tão bem com, por exemplo, uma pessoa do Meio-Oeste americano na casa dos 50 ou 60 anos", ponderou.

"Culturalmente, eu entendo. Sinto que esta é a minha casa, e não sinto que estou fazendo isso na casa de outra pessoa", concluiu Tian, definindo Shanghai como o palco para construir seu próprio negócio e futuro.

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