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A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, registrou um prejuízo de US$ 19,1 bilhões (cerca de R$ 95 bilhões) em 2025 com sua divisão de realidade virtual, a Reality Labs. O valor é ligeiramente superior aos US$ 17,7 bilhões perdidos no ano anterior. Apenas no quarto trimestre, as perdas somaram US$ 6,2 bilhões, conforme relatório financeiro divulgado pela companhia na quarta-feira (29).

Os prejuízos ocorreram diante de uma receita modesta: a unidade faturou US$ 955 milhões no último trimestre e aproximadamente US$ 2,2 bilhões ao longo de todo o ano de 2025. A divulgação dos números ocorre após a Meta demitir 10% dos funcionários da Reality Labs no início do mês, corte que atingiu cerca de mil empregados.

Zuckerberg mantém otimismo, mas projeta mais perdas

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Durante a teleconferência de resultados, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, manteve um tom otimista sobre o futuro da realidade virtual, mas admitiu que os prejuízos devem continuar altos. "Para a Reality Labs, estamos direcionando a maior parte do nosso investimento para óculos e wearables daqui para frente, enquanto nos concentramos em fazer do Horizon um grande sucesso no Mobile e em tornar o VR um ecossistema lucrativo nos próximos anos", afirmou o executivo.

No entanto, Zuckerberg foi realista sobre o cenário imediato: "Espero que as perdas da Reality Labs este ano sejam semelhantes às do ano passado". Ele acrescentou que 2026 "provavelmente será o pico, pois começaremos a reduzir gradualmente nossas perdas daqui para frente".

Ceticismo persiste após quase cinco anos de investimento massivo

Quando a Meta anunciou sua virada para o "metaverso" em 2021, a estratégia foi recebida com ceticismo, e a empresa chegou a ser chamada de "piada internacional". Quase cinco anos depois, a desconfiança não diminuiu. Enquanto o negócio de VR continua a perder dinheiro, a Meta realiza uma virada agressiva para a Inteligência Artificial (IA), deixando incerto o que poderia reverter a situação da unidade deficitária.

Na semana passada, a CNBC noticiou que, além das demissões, a Meta planejava fechar vários de seus estúdios de VR – mais um sinal de que o interesse da empresa pela realidade virtual está diminuindo. A companhia também anunciou recentemente a descontinuação de seu aplicativo independente Workrooms, que era promovido como um espaço de VR para reuniões de trabalho.

Contexto de uma aposta bilionária

A Meta tem investido bilhões de dólares anualmente na construção de sua visão de metaverso, uma aposta de longo prazo que ainda não deu retorno financeiro. A Reality Labs é a unidade responsável pelos óculos de realidade virtual e aumentada Quest, pelo software Horizon Worlds e por pesquisas em hardware de próxima geração.

O desempenho financeiro da divisão contrasta com o robusto lucro das operações principais da Meta, que incluem a família de aplicativos (Facebook, Instagram, WhatsApp), sustentada pela receita de publicidade digital. A persistência dos prejuízos na VR levanta questões sobre o tempo e os recursos que a empresa ainda está disposta a dedicar a essa iniciativa antes de buscar uma trajetória de rentabilidade.