O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, declarou que a inteligência artificial (IA) está transformando radicalmente a capacidade produtiva de funcionários individuais dentro da empresa. Em conferência de resultados trimestrais realizada na quinta-feira, o executivo afirmou que projetos que antes exigiam grandes equipes agora podem ser realizados por uma única pessoa altamente talentosa.
A Meta, controladora do Facebook e Instagram, reportou receita e lucro do quarto trimestre superiores às expectativas do mercado. A empresa planeja aumentar seus investimentos em IA em aproximadamente 70% neste ano.
Foco em talentos individuais e equipes mais enxutas
Zuckerberg detalhou que a empresa está investindo em ferramentas de IA "nativas" para elevar a performance de colaboradores individuais e "achatar" a estrutura das equipes. "Estamos começando a ver projetos que exigiam grandes equipes agora serem realizados por uma única pessoa muito talentosa", disse o CEO. "Quero garantir que o maior número possível dessas pessoas muito talentosas escolha a Meta como o lugar onde podem causar o maior impacto."
Apesar da tendência de equipes menores, a diretora financeira da Meta, Susan Li, afirmou que a companhia ainda busca agressivamente talentos de ponta. "O mercado de contratações continua muito competitivo, mas gostaríamos de investir agressivamente onde pudermos", declarou Li. Ela destacou que a Meta encerrou o trimestre de dezembro com 6% mais funcionários do que há um ano, com contratações focadas em áreas como monetização, infraestrutura, Meta Superintelligence Labs, regulamentação e conformidade.
Ganhos de produtividade e desafios de infraestrutura
A Meta já registrou um aumento significativo na produtividade por engenheiro no ano passado, com a maior parte desse crescimento vindo da adoção de ferramentas de codificação "agênticas" baseadas em IA. No entanto, Zuckerberg reconheceu que a meta de depender de um número menor de funcionários altamente capacitados em IA é desafiada pela escassez de recursos de computação, já que a demanda na empresa cresceu mais rápido que a oferta.
Ainda assim, o CEO expressou confiança na perspectiva de maiores eficiências. "Acho que 2026 será o ano em que a IA começará a mudar drasticamente a forma como trabalhamos", projetou Zuckerberg. "Enquanto navegamos por isso, nossa Estrela do Norte é construir o melhor lugar para indivíduos causarem um impacto massivo."
Tendência ampla no mercado de tecnologia
A Meta não está sozinha na estratégia de equipes menores. A tendência se popularizou no mundo das startups, onde a agilidade sempre foi priorizada. Sam Altman, CEO da OpenAI, previu em fevereiro de 2024 que veríamos "empresas de 10 pessoas com avaliações de bilhões de dólares muito em breve". Ele mencionou até um "bolão" entre CEOs de tecnologia sobre o primeiro ano em que haverá uma empresa de uma pessoa avaliada em um bilhão de dólares, algo "inimaginável sem a IA".
Grandes corporações também têm reduzido suas camadas de gerência média nos últimos anos para aumentar a eficiência e diminuir a burocracia. Zuckerberg escreveu um memorando em 2023 intitulado "Mais plano é mais rápido". No final de 2024, o CEO do Google, Sundar Pichai, informou à equipe que a empresa cortou 10% dos cargos de vice-presidência e gerência como parte de um esforço de eficiência.
A tendência se estende além do setor de tecnologia. Varejistas como Walmart e Wayfair, e empresas de fintech como a Block, têm realocado gerentes para funções não gerenciais. Algumas companhias também realizaram múltiplas rodadas de demissões em massa. Na quarta-feira, a Amazon anunciou que cortaria 16 mil cargos corporativos, sua segunda rodada de demissões em quatro meses.