O desembargador Claudio de Mello Tavares assumiu a presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) nesta semana com uma promessa central: barrar candidaturas ligadas ao crime organizado. Ele foi eleito por aclamação pelos sete membros do colegiado do tribunal e sucede o desembargador Peterson Barroso Simão, com mandato até março de 2027.
Em seu discurso de posse, Tavares foi enfático ao declarar que não haverá espaço no processo eleitoral fluminense para candidaturas patrocinadas pelo crime organizado, tráfico de drogas ou milícias. O magistrado classificou o voto popular como "sagrado" e prometeu ser implacável na análise de registros de candidatura.
Defesa do voto livre e indeferimento de registros
“Nenhuma nação se fortalece sem garantir ao cidadão o direito ao voto livre. Livre de pressão, de coerção, do medo. Neste tribunal, defenderemos com rigor o direito de o eleitor escolher seus representantes sem que forças paralelas interfiram na sua decisão”, afirmou Tavares. Ele acrescentou que o voto "não pode ser comprado, coagido, manipulado" e pertence exclusivamente ao eleitor.
O novo presidente do TRE-RJ destacou que indeferirá registros de candidatos com relação direta ou indireta com organizações criminosas, estabelecendo essa como uma das prioridades de sua gestão à frente do tribunal eleitoral.
Trajetória do novo presidente
Claudio de Mello Tavares ingressou no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) em 1998. Sua carreira na magistratura inclui passagens pela Corregedoria-Geral da Justiça, onde atuou entre 2017 e 2018, e pela presidência do TJRJ no biênio 2019-2020.
Mais recentemente, de março a dezembro de 2025, o desembargador ocupou os cargos de vice-presidente e corregedor regional eleitoral no estado, experiência que agora traz para a presidência do TRE-RJ.
Contexto e próximos passos
A declaração ocorre em um contexto de preocupação crescente com a influência de facções criminosas na política eleitoral, especialmente no estado do Rio de Janeiro. A promessa de rigor na análise de candidaturas sinaliza uma postura mais ativa do tribunal na fase de registro, antes mesmo do pleito.
Com informações oficiais do próprio TRE-RJ, a gestão de Tavares se inicia com o compromisso público de blindar o processo eleitoral contra interferências ilícitas, um desafio histórico no estado.