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A Boston Dynamics, empresa de robótica de Massachusetts controlada pela Hyundai, apresentou a nova versão do robô humanoide Atlas durante a Consumer Electronics Show em Las Vegas no dia 5 de janeiro. O equipamento, totalmente elétrico, tem 1,88m de altura, pesa cerca de 90kg e possui autonomia de bateria de quatro horas. A Hyundai planeja testá-lo em sua fábrica na Geórgia, nos Estados Unidos.

Segundo o CEO Robert Playter, o Atlas iniciará suas atividades realizando tarefas de "sequenciamento de peças" – a organização logística de componentes antes da montagem. "Estamos começando com as coisas mais simples, que é o sequenciamento de peças", afirmou Playter em entrevista exclusiva ao Business Insider. A expectativa é que, com o tempo, o robô assuma funções mais complexas na linha de produção.

Transição do hidráulico para o elétrico

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Robert Playter, engenheiro aeroespacial formado pelo MIT e CEO da Boston Dynamics desde 2019, liderou a transição do Atlas de uma plataforma hidráulica para uma totalmente elétrica. O novo modelo foi projetado para produção em massa, com design modular que utiliza apenas três tipos diferentes de motores, visando reduzir custos. "Todas as juntas têm rotação de 360 graus", explicou Playter, referindo-se aos movimentos acrobáticos do robô.

O Atlas possui 56 graus de liberdade e capacidade para levantar até 50kg (110 libras). A parceria com o Google DeepMind, laboratório de pesquisa de IA da Alphabet, tem como objetivo desenvolver o "cérebro" do robô, essencial para a execução de uma grande variedade de tarefas.

Cinco a dez anos para os lares

O cronograma comercial prevê que os humanoides comecem a operar em ambientes industriais nos próximos anos, com uma possível entrada nos lares dentro de cinco a dez anos. "Os próximos cinco anos estamos realmente focando em aplicações industriais", declarou o CEO. A priorização das fábricas se deve a três fatores principais: custo inicial ainda elevado para consumidores, maior controle de segurança no ambiente industrial e a complexidade do ambiente doméstico.

Playter destacou que, para ser viável em fábricas, o Atlas precisará executar com confiabilidade de 99,9% cerca de cem tarefas diferentes, e não apenas uma ou duas. A meta da empresa é capacitar o robô para aprender uma nova tarefa a cada 24 ou 48 horas, utilizando técnicas de Inteligência Artificial.

Design inspirado na Pixar e impacto no trabalho

O rosto do Atlas foi inspirado na luminária animada da Pixar, Luxo Jr., em uma decisão consciente para evitar uma estética "assustadora e distópica". "Queríamos sinalizar que isto não é um humano. É uma máquina — é uma máquina amigável", explicou Playter.

Sobre o impacto no mercado de trabalho, o executivo defendeu uma visão de simbiose entre humanos e máquinas. "O que estamos realmente encontrando quando trazemos robôs para o local de trabalho é que as pessoas acabam gostando de interagir com os robôs", afirmou. Ele citou o exemplo do robô Stretch, onde operadores que antes descarregavam trailers manualmente agora gerenciam o equipamento, em um processo de requalificação.

A Boston Dynamics não possui uma métrica fixa de substituição, como um robô equivalendo a cinco humanos, pois a eficiência varia conforme a tarefa. O modelo de negócio, testado com o robô Spot, busca um retorno sobre o investimento para os clientes em dois a três anos.

Desafios competitivos e futuro

Playter reconheceu a intensa concorrência por talentos em IA, setor onde a Boston Dynamics compete com gigantes como Meta, Google e Nvidia. "Precisamos do mesmo talento em IA que a Meta, o Google e a Nvidia estão todos contratando, então é extremamente competitivo", admitiu.

Questionado sobre os concorrentes que visam diretamente o mercado consumidor, o CEO avaliou que se trata de "um jogo ligeiramente diferente". "Este é um negócio muito caro para se estar. São necessários bilhões de dólares de investimento para levar essa tecnologia aonde ela precisa estar", concluiu, reafirmando a estratégia industrial da empresa como o caminho mais viável.