O mundo está rachado. Não é exagero. As divisões culturais, políticas e geopolíticas criaram um cenário hostil para qualquer investidor que busca o próximo grande unicórnio. Mas enquanto muitos se desesperam, um fundo europeu descobriu um atalho.
O mapa do tesouro em três pedaços
A Kompas VC acaba de levantar €160 milhões (US$ 187,5 milhões) para um novo fundo. E o segredo do sucesso deles? Uma estratégia regional que enxerga o globo como ele realmente é: um quebra-cabeça de três peças.
“Vemos o mundo se dividindo em três grandes esferas de atividade econômica e política: EUA, Europa e China”, revelou Sebastian Peck, sócio da Kompas VC, ao TechCrunch. “Hoje, esses três domínios seguem trajetórias muito, muito diferentes.”
Enquanto o Vale do Silício corre atrás de explosão de crescimento com IA, a Kompas aposta em algo mais sólido: o mundo físico. A tese deles é clara e, para muitos, surpreendente: focar em startups que resolvem problemas reais de manufatura, cadeias de suprimentos, infraestrutura crítica e sustentabilidade.
O nicho que virou mina de ouro
“Havia muito entusiasmo em torno desses temas em 2021”, explicou Peck. “Em 2026, estamos em um paradigma completamente diferente. É tudo sobre IA, crescimento rápido e explosivo. Mas nosso foco está no mundo físico, em produzir bens físicos. Encontramos nosso nicho.”
E esse nicho é surpreendentemente amplo. O movimento de “reshoring” (trazer a produção de volta para casa) está em alta em quase todos os mercados. E a Kompas está pronta para capitalizar isso com cheques de €3 a €5 milhões em rodadas early-stage.
O caso que explica tudo: casas pré-fabricadas
Para entender a estratégia, Peck dá um exemplo perfeito: as casas pré-fabricadas. Na Escandinávia, essa solução é amplamente usada. Na Alemanha, no resto da Europa e nos EUA, quase não existe.
“Parece uma solução tão intuitiva. É um produto industrial. Deveria ser altamente escalável”, disse ele. O motivo do fracasso fora da Escandinávia? “Condicionamento cultural”, não a tecnologia. “Nessa indústria, se os EUA não são um mercado que você pode alcançar, você precisa olhar com muito cuidado se existe um mercado endereçável grande o suficiente.”
A fragmentação também aparece em temas como sustentabilidade — ainda atraente na Europa, mas sem o mesmo apelo nos EUA de alguns anos atrás.
“Estamos investindo em horizontes de 10 a 15 anos. Isso significa atravessar alguns períodos legislativos, e às vezes as coisas balançam em direções inesperadas”, reconhece Peck.
O futuro é dos pequenos e especializados
Para Peck, o cenário caótico não é uma ameaça — é uma oportunidade. “Acho que há um grande espaço para fundos menores, altamente focados e especializados como o nosso, para serem o primeiro cheque e capturar certos temas e certos fundadores.”
A mensagem final é clara: em um mundo onde tudo parece incerto, a Kompas VC está apostando que a fragmentação é o novo normal — e que entender as diferenças regionais é o único mapa para encontrar os tesouros escondidos.