A Polícia Civil da Bahia fechou um camarote de luxo no circuito do Carnaval de Salvador neste sábado (14) como parte de uma operação que investiga um esquema milionário de lavagem de dinheiro. O espaço, localizado no bairro da Barra e de propriedade do influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, foi interditado e transformado em ponto de observação estratégica para agentes de segurança durante a festa.
A investigação, conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco) desde 2024, apura movimentações atípicas entre traficantes de vários estados e influenciadores que vendem rifas nas redes sociais. Diogo 305 foi preso preventivamente e está entre os alvos centrais da apuração.
Esquema das rifas de centavos
De acordo com a polícia, o modus operandi do grupo envolvia a venda de rifas com valores extremamente baixos, algumas chegando a custar apenas seis centavos, para prêmios de alto valor, como carros de R$ 200 mil e cavalos de raça. A prática, segundo os investigadores, cria uma pulverização das vendas que dificulta sobremaneira o rastreio da origem do dinheiro, que pode estar vinculado a organizações criminosas.
"A rifa em si, só pode ser feita com fins filantrópicos. Ela não pode gerar lucro para quem propaga essas rifas", afirmou Fábio Lordelo, diretor da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), em reportagem ao Fantástico.
Aquisição de avião levantou suspeitas
O ponto de virada na investigação ocorreu em 2025, quando os investigadores descobriram que Diogo 305 e Manuel Ferreira da Silva Filho, também indiciado por lavagem de dinheiro, adquiriram em conjunto um avião avaliado em mais de R$ 10 milhões. A transação chamou a atenção das autoridades para a origem dos recursos do influenciador, que ostenta uma vida de luxo e prêmios caros em suas redes sociais.
"Então, quando houve essa comunicação dessa transferência de valores para aquisição desse avião, nós iniciamos o processo de investigação em relação ao investigado atual, Diogo", explicou Lordelo.
Alcance nacional da operação
A Operação Falsas Promessas, que resultou no fechamento do camarote, cumpriu mandados de busca e apreensão contra outros 13 investigados nas cidades de Feira de Santana, São Bernardo do Campo (SP), São Paulo, Salvador e Camaçari. A polícia também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 125 milhões em bens e valores dos integrantes do suposto grupo criminoso.
O relatório policial aponta que os artigos de luxo divulgados pelos rifeiros nas redes sociais podem ter sido adquiridos com dinheiro proveniente do tráfico de drogas, e que as quadrilhas embolsam o valor total arrecadado com as rifas ilegais.
A polícia segue com a investigação para mapear toda a rede de lavagem de capitais e a conexão entre os investigados. O caso deve ser encaminhado ao Ministério Público para a formalização das denúncias após a conclusão dos trabalhos de inteligência financeira.