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A população da China registrou seu quarto ano consecutivo de declínio em 2025, com uma redução de 3,39 milhões de habitantes, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (19). O país, que já foi ultrapassado pela Índia como o mais populoso do mundo, registrou apenas 7,92 milhões de nascimentos no ano passado, o menor número desde a fundação da República Popular, em 1949.

Com uma taxa de natalidade de 5,63 por mil habitantes – queda de 17% em relação a 2024 – e uma mortalidade de 8,04 por mil, a população total chinesa agora é de aproximadamente 1,404 bilhão. A tendência de encolhimento, que começou em 2022 com a primeira contração desde 1961, coloca o país diante de uma crise demográfica classificada pelo presidente Xi Jinping como um "assunto vital".

Projeção alarmante e medidas do governo

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Se mantido o ritmo atual, a população chinesa poderá cair para cerca de 800 milhões até 2100, de acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa redução de aproximadamente 600 milhões de pessoas equivale a quase três vezes a população atual do Brasil, estimada em 213,4 milhões.

Para tentar reverter a queda, o Partido Comunista Chinês tem enfatizado a necessidade de um sistema que "aumente as taxas de natalidade e reduza os custos". Nos últimos meses, Pequim implementou medidas como subsídios anuais de 3,6 mil yuans (cerca de R$ 2,7 mil) por criança menor de três anos e planos para incluir o parto no seguro nacional de maternidade até 2026.

Herança da política do filho único e novos hábitos

Um dos principais obstáculos é o desequilíbrio de gênero herdado de décadas da "política do filho único", que privilegiava filhos homens. Atualmente, a proporção é de 104,34 homens para cada 100 mulheres no país.

Além disso, mudanças sociais profundas dificultam a reversão. Apesar da permissão para um terceiro filho desde 2021, as famílias priorizam a carreira profissional devido aos altos custos com educação e criação. Paralelamente, a população que vive sozinha já supera 92 milhões e pode chegar a 200 milhões em 2030, segundo o Ministério de Assuntos Civis.

Impactos econômicos e previdenciários

O envelhecimento acelerado da população pressiona o sistema de previdência social. Em 2024, a China aumentou a idade para aposentadoria pela primeira vez em 50 anos, uma medida também observada em outros países com baixa natalidade, como a Alemanha.

O governo anunciou no fim de 2025 uma revisão integral dos preços das creches para reduzir custos da educação pré-escolar, reforçando o pacote de apoio à natalidade. A eficácia dessas políticas, no entanto, ainda é incerta diante da profundidade da transformação demográfica em curso.