Praias brasileiras registram pior qualidade da água em uma década, aponta levantamento
Apenas 30% dos trechos monitorados apresentaram condições adequadas para banho durante todo o ano de 2025.
As praias do Brasil atingiram em 2025 o pior índice de qualidade da água para banho dos últimos dez anos. Somente 30,2% dos trechos monitorados apresentaram condições adequadas durante todo o ano, conforme levantamento realizado pela Folha de São Paulo. Os dados revelam que, de um total monitorado, apenas 253 praias foram consideradas apropriadas, enquanto 143 foram classificadas como ruins e 136 como péssimas no período de novembro de 2024 a outubro de 2025.
A situação crítica se reflete em alertas recentes de órgãos ambientais estaduais. Na última segunda-feira (22), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que 23 praias do litoral paulista estavam impróprias para banho, com o maior número de trechos ruins concentrado no município de Santos. O boletim analisou 175 praias no estado.
Em Pernambuco, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) divulgou na terça-feira (23) que sete praias do litoral estão impróprias, a maioria localizada no município de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A classificação segue os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA Nº 274/00.
Litoral de São Paulo concentra trechos impróprios
O relatório da Cetesb apontou praias impróprias em diversos municípios do litoral paulista. Em Ubatuba, os pontos afetados são na Praia do Itaguá. Caraguatatuba registrou problemas na Praia do Indaiá, enquanto São Sebastião teve a Praia de São Francisco classificada como inadequada.
Ilhabela, Guarujá, Santos, São Vicente, Praia Grande, Itanhaém e Peruíbe também tiveram trechos considerados impróprios. Em Santos, as praias com problemas incluem Ponta da Praia, Aparecida, Embaré, Boqueirão, Gonzaga e José Menino.
Situação no Nordeste: Pernambuco com alertas
No litoral pernambucano, as praias consideradas impróprias estão em Itamaracá (Jaguaribe e Pilar), Paulista (Janga) e Olinda (Rio Doce, Carmo e Milagres). A capital Recife também registrou um ponto inadequado na Praia do Pina.
A CPRH destacou que a classificação é baseada em coletas e análises regulares da água do mar, seguindo rigorosamente a legislação federal que define os critérios de balneabilidade. A presença de coliformes fecais acima dos limites permitidos é o principal fator para a interdição dos trechos.
Contexto e próximos passos
O agravamento da qualidade das águas costeiras levanta alertas sobre saneamento básico e gestão de resíduos nos municípios litorâneos. Especialistas ambientais associam o problema, em grande parte, ao lançamento de esgoto não tratado no mar.
Os órgãos estaduais mantêm a recomendação de que banhistas consultem os boletins de balneabilidade mais recentes antes de ir às praias, já que a condição pode mudar rapidamente devido a fatores como chuvas e marés. A Cetesb e a CPRH atualizam semanalmente os informativos em seus portais oficiais na internet.
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