O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, declarou nesta quarta-feira (17) que seu país está preparado para defender-se de um eventual ataque da Rússia, independentemente do apoio dos Estados Unidos. A afirmação foi feita durante painel no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Stubb destacou que a Finlândia, que compartilha uma fronteira de aproximadamente 1.300 km com a Rússia, pode mobilizar 280 mil soldados "em questão de semanas" graças ao serviço militar obrigatório. "Temos a maior artilharia da Europa, junto com a Polônia. Temos mísseis de longo alcance, por terra, mar e ar", afirmou o mandatário.
Capacidade militar construída com a Rússia em mente
O presidente finlandês brincou que o poderio militar não foi construído por preocupação com aliados como a Suécia: "Não temos isso porque estamos preocupados com Estocolmo". A Finlândia ingressou na OTAN em 2023, em resposta à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Stubb também enfatizou a força aérea do país, composta por 62 caças F-18 e pela recente aquisição de 64 caças F-35, fabricados pela Boeing e Lockheed Martin, respectivamente. Questionado se essas aeronaves, que dependem de suporte americano, continuariam operacionais, ele foi enfático: "Voam sem americanos? Não, não voam. Mas confiamos que continuarão voando porque é do interesse da América que assim seja? Sim".
Preparação civil como pilar da defesa
Além do poderio militar convencional, Stubb apontou a preparação civil como um diferencial crucial. "Você luta guerras no campo de batalha, mas as vence em casa", disse. Ele citou que a Finlândia possui abrigos civis para 4,4 milhões de pessoas – quase toda a sua população – e um sistema de segurança de suprimentos que evita escassez de alimentos, energia ou problemas na rede elétrica.
O presidente descreveu essa capacidade de resiliência civil como algo que "muitos estados europeus precisam fazer". A Finlândia também mantém a "maior força ártica da aliança", segundo Stubb.
Confiança na Europa e futuro da OTAN
Sobre a capacidade de defesa europeia, Stubb foi categórico: "A Europa pode se defender? Minha resposta é inequivocamente, sim". Ele rejeitou a ideia de que a OTAN poderia se dissolver devido a tensões recentes, como a disputa dos EUA pelo território dinamarquês da Groenlândia.
"Acho que, na verdade, estamos no processo de criar uma OTAN mais forte do que vimos desde o fim da Guerra Fria", afirmou. Questionado se a Europa precisaria se defender potencialmente dos EUA, ele respondeu: "Não. Quero dizer, vamos lá, não vamos forçar as hipóteses aqui. Vamos voltar à realidade da situação".
As declarações ocorrem em um momento em que aliados da linha de frente da OTAN, como os países bálticos, alertam para o risco de a Rússia provocar uma guerra mais ampla na Europa. A história de conflitos entre Finlândia e Rússia, incluindo guerras amargas durante a Segunda Guerra Mundial, moldou a doutrina de defesa do país nórdico.