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Presidente da Finlândia afirma que país está pronto para ataque russo sem apoio dos EUA

Presidente da Finlândia afirma que país está pronto para ataque russo sem apoio dos EUA

Em Davos, Alexander Stubb destaca capacidade de mobilizar 280 mil soldados e ter maior artilharia da Europa

Redação
Redação
21 de janeiro de 2026

O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, declarou nesta quarta-feira (17) que seu país está preparado para defender-se de um eventual ataque da Rússia, independentemente do apoio dos Estados Unidos. A afirmação foi feita durante painel no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Stubb destacou que a Finlândia, que compartilha uma fronteira de aproximadamente 1.300 km com a Rússia, pode mobilizar 280 mil soldados "em questão de semanas" graças ao serviço militar obrigatório. "Temos a maior artilharia da Europa, junto com a Polônia. Temos mísseis de longo alcance, por terra, mar e ar", afirmou o mandatário.

Capacidade militar construída com a Rússia em mente

O presidente finlandês brincou que o poderio militar não foi construído por preocupação com aliados como a Suécia: "Não temos isso porque estamos preocupados com Estocolmo". A Finlândia ingressou na OTAN em 2023, em resposta à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Stubb também enfatizou a força aérea do país, composta por 62 caças F-18 e pela recente aquisição de 64 caças F-35, fabricados pela Boeing e Lockheed Martin, respectivamente. Questionado se essas aeronaves, que dependem de suporte americano, continuariam operacionais, ele foi enfático: "Voam sem americanos? Não, não voam. Mas confiamos que continuarão voando porque é do interesse da América que assim seja? Sim".

Preparação civil como pilar da defesa

Além do poderio militar convencional, Stubb apontou a preparação civil como um diferencial crucial. "Você luta guerras no campo de batalha, mas as vence em casa", disse. Ele citou que a Finlândia possui abrigos civis para 4,4 milhões de pessoas – quase toda a sua população – e um sistema de segurança de suprimentos que evita escassez de alimentos, energia ou problemas na rede elétrica.

O presidente descreveu essa capacidade de resiliência civil como algo que "muitos estados europeus precisam fazer". A Finlândia também mantém a "maior força ártica da aliança", segundo Stubb.

Confiança na Europa e futuro da OTAN

Sobre a capacidade de defesa europeia, Stubb foi categórico: "A Europa pode se defender? Minha resposta é inequivocamente, sim". Ele rejeitou a ideia de que a OTAN poderia se dissolver devido a tensões recentes, como a disputa dos EUA pelo território dinamarquês da Groenlândia.

"Acho que, na verdade, estamos no processo de criar uma OTAN mais forte do que vimos desde o fim da Guerra Fria", afirmou. Questionado se a Europa precisaria se defender potencialmente dos EUA, ele respondeu: "Não. Quero dizer, vamos lá, não vamos forçar as hipóteses aqui. Vamos voltar à realidade da situação".

As declarações ocorrem em um momento em que aliados da linha de frente da OTAN, como os países bálticos, alertam para o risco de a Rússia provocar uma guerra mais ampla na Europa. A história de conflitos entre Finlândia e Rússia, incluindo guerras amargas durante a Segunda Guerra Mundial, moldou a doutrina de defesa do país nórdico.

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