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Proposta de reforma do Código Civil pode avançar no Senado em 2026
Política

Proposta de reforma do Código Civil pode avançar no Senado em 2026

Texto que altera mais de 900 artigos e cria capítulo sobre direito digital está em análise por comissão especial.

Redação
Redação
20 de janeiro de 2026

O Projeto de Lei 4/2025, que propõe a primeira grande reforma do Código Civil brasileiro em mais de 20 anos, pode ser votado no Senado ainda em 2026. A proposta, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD), altera mais de 900 artigos e adiciona 300 novos dispositivos à legislação que rege a vida civil no país desde 2002.

O texto está sob análise da Comissão Temporária para Atualização do Código Civil (CTCivil), instalada em 24 de setembro de 2025 e composta por 11 senadores de diferentes partidos. O relator do projeto é o senador Veneziano Vital do Rego (MDB). A comissão já realizou dez reuniões para ouvir especialistas sobre os temas da reforma.

Principais inovações da proposta

Uma das principais mudanças é a criação de uma parte específica dedicada ao direito digital, abrangendo temas como contratos eletrônicos, responsabilidade por atos digitais e proteção de dados. "É uma pauta que considero muito positiva para o Brasil, haja vista que atualizaremos uma série de institutos já consolidados na jurisprudência", defendeu o autor do projeto, Rodrigo Pacheco.

O texto também amplia o conceito de família e inclui discussões sobre inteligência artificial, responsabilidade civil, contratos e obrigações, e até a tutela civil dos animais. A proposta foi elaborada a partir dos trabalhos de uma comissão de juristas coordenada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luís Felipe Salomão, entre 2023 e 2024.

Contexto e relevância da reforma

O Código Civil é responsável por regular praticamente todos os aspectos da vida civil no país, desde o nascimento até após a morte, incluindo casamento, herança, contratos e atividades empresariais. Por isso, é frequentemente definido como uma espécie de "Constituição do cidadão comum".

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), destacou a importância da atualização: "Hoje, segundo dados oficiais do IBGE, são mais de 91% dos domicílios brasileiros conectados à rede mundial de computadores, e mais de 80% dos consumidores brasileiros já fazem compra pela internet".

Próximos passos e cronograma

A previsão é que a comissão temporária encerre seus trabalhos e vote o relatório até o final de junho de 2026. Novos debates estão previstos para o próximo ano, inclusive fora do Senado, em instituições como a OAB/RJ e o Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

O texto em análise redesenha o atual Código Civil com base em entendimentos já consolidados nos tribunais brasileiros, buscando positivar na lei práticas e realidades que surgiram ou se consolidaram nas últimas duas décadas.

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