A rainha Camilla, consorte do rei Charles III, falou publicamente pela primeira vez sobre uma agressão sexual que sofreu quando tinha entre 16 e 17 anos. O relato foi feito durante uma entrevista ao programa "Today", da BBC Radio 4, nesta quarta-feira (5), em uma edição especial comandada pela ex-primeira-ministra Theresa May que abordou violência doméstica e abuso sexual.
A monarca descreveu o episódio, que ocorreu durante uma viagem de trem com destino à estação de Paddington, em Londres, e afirmou que a experiência a deixou "furiosa" e "cheia de raiva". O caso havia sido mencionado anteriormente no livro "Power and the Palace", lançado em 2024, mas nunca havia sido detalhado pela própria rainha.
O ataque e a reação imediata
Segundo Camilla, um homem a tocou indevidamente enquanto ela lia um livro. "Eu estava lendo meu livro quando esse rapaz, ou melhor, homem, me atacou. E eu lutei de volta", contou a rainha em entrevista concedida na Clarence House. Ela reagiu imediatamente, acertando o agressor com o salto do sapato.
Ao chegar à estação, ela denunciou o homem, que acabou sendo preso. Camilla também recordou o momento em que foi recebida pela mãe: "Ela olhou para mim e perguntou por que meu cabelo estava todo arrepiado e por que faltava um botão do meu casaco. Eu tinha sido atacada".
Memória reprimida e defesa de vítimas
A rainha disse que, por muito tempo, o episódio ficou "escondido no fundo da memória", mas voltou à tona após ouvir histórias recentes de violência. "Foi uma agressão física. O que me lembro claramente é da raiva. Eu estava extremamente furiosa", afirmou.
Camilla atua há anos na defesa de vítimas de violência doméstica e abuso sexual, visitando centros de acolhimento, promovendo encontros com sobreviventes e se posicionando publicamente sobre o tema no Reino Unido e no exterior.
Contexto da entrevista e debate sobre prevenção
A revelação ocorreu em meio a uma conversa com o comentarista esportivo John Hunt, cuja família foi vítima de um crime brutal em julho de 2024. A esposa dele, Carol, e as filhas Louise e Hannah foram mortas em casa, em Hertfordshire, pelo ex-namorado de Louise, Kyle Clifford, em um ataque com uma besta.
Camilla elogiou a força da família Hunt e, durante o programa, defendeu educação e atenção especial aos meninos e adolescentes como forma de prevenir a violência. "Muitos cresceram em ambientes abusivos e passam a achar que esse comportamento é normal. Se conseguirmos agir cedo e ensinar respeito pelas mulheres, isso precisa estar nas escolas", afirmou.
Mensagem final e impacto
Ao final da entrevista, Camilla deixou uma mensagem emocionada à família Hunt: "Onde quer que sua família esteja agora, eles teriam um orgulho imenso de vocês". Amy Hunt, filha de John, agradeceu o depoimento da rainha: "Obrigada por compartilhar isso, Majestade. É preciso muita coragem, porque toda mulher carrega uma história".
John Hunt afirmou que o sofrimento da família ainda é intenso. "É difícil a cada minuto. Você precisa encontrar forças para atravessar a próxima hora", declarou.