Um relatório oficial do estado de Michigan, nos Estados Unidos, divulgou os nomes de 51 membros do clero católico acusados de abuso sexual na Diocese de Grand Rapids. O documento, publicado pelo gabinete da procuradora-geral do estado, reúne denúncias registradas desde 1950 e faz parte de uma investigação mais ampla sobre a Igreja Católica na região.
A investigação é conduzida desde 2018 pelo Departamento de Justiça de Michigan em parceria com a polícia estadual. Até o momento, cinco dos sete relatórios estaduais planejados sobre diferentes dioceses já foram publicados.
Perfil dos acusados e detalhes das acusações
Do total de 51 religiosos citados no relatório referente à Diocese de Grand Rapids, 37 já estão mortos. Dos 14 restantes, considerados vivos, nenhum exerce atualmente funções ministeriais na diocese, segundo o documento.
O levantamento detalha nomes completos, períodos de atuação, datas de ordenação e descrições das condutas investigadas. A maioria esmagadora dos casos apurados envolve episódios ocorridos antes do ano de 1979.
Ausência de processos criminais e questões legais
Até o presente momento, nenhuma das acusações listadas contra membros da Diocese de Grand Rapids resultou em processo criminal, conforme informado pelas autoridades estaduais. O gabinete da procuradora-geral aponta que isso pode ocorrer por diversas razões, como a morte do acusado, a prescrição do crime, a falta de tipificação penal adequada à época dos fatos ou a decisão da própria vítima de não prosseguir com a denúncia.
Em Michigan, a legislação geralmente estabelece prazos de até seis anos após o crime ou após a vítima completar 18 anos para a apresentação de acusações criminais. Contudo, a lei atual permite que casos de abuso sexual em primeiro grau sejam processados a qualquer tempo, sem limitação temporal.
Contexto da investigação estadual
A publicação deste relatório integra uma série de investigações conduzidas pelo estado de Michigan sobre alegações de abuso sexual em dioceses católicas. A apuração busca mapear historicamente as denúncias e tornar públicas as informações coletadas, independentemente da viabilidade de ações penais devido às limitações legais temporais.
O processo de apuração continua, com a expectativa de conclusão e divulgação dos dois relatórios restantes sobre outras dioceses do estado.