Uma jornalista da Geração Z descobriu que substituir o despertador do smartphone por um relógio analógico de R$ 80 foi a chave para quebrar o ciclo de "doomscrolling" matinal – o hábito de rolar a tela do celular consumindo notícias negativas. A mudança, adotada em setembro de 2024, fez com que ela deixasse o telefone carregando fora do quarto durante a noite.
Sem o aparelho ao lado da cama, a profissional passou a ler e escrever em um diário antes de dormir, além de eliminar o hábito de verificar notificações no meio da noite. O maior obstáculo inicial, segundo ela, foi o medo de que o despertador analógico não tocasse, mas a adaptação trouxe benefícios rápidos para a concentração.
Produtividade aumenta com "vida analógica"
A ausência do estímulo intenso de dopamina causado por aplicativos como TikTok e Instagram logo ao acordar tornou tarefas domésticas, como arrumar a louça ou preparar o café, mais fáceis e menos custosas. A experiência faz parte de uma tendência documentada de pessoas que buscam reduzir a presença digital, incluindo o uso de "celulares burros" e a criação de "bolsas analógicas" com atividades offline, como palavras cruzadas.
O psicólogo e pesquisador Antonio Kalentzis explica que a prática tem fundamento neurocientífico. "Quando acordamos, o cérebro está em transição do sono para o estado de alerta total. Durante este período, os sistemas responsáveis pelo autocontrole, regulação emocional e atenção sustentada ainda não estão operando em seu nível ideal", afirmou ele à reportagem. A exposição a estímulos digitais intensos nessa fase faz o cérebro buscar repetidamente a mesma sensação.
Desafios e a "ansiedade analógica"
A rotina foi testada quando a jornalista precisou acordar às 5h20 para um trabalho com início às 6h30. Em uma ocasião, ela desligou o alarme acidentalmente durante a noite – os botões de luz e desligar do modelo são muito próximos – e acordou no horário em que deveria estar no trabalho. Isso a fez recair e voltar a usar o celular como despertador em turnos muito matutinos, período em que percebeu queda na concentração.
Após um mês, ela retomou a confiança no relógio analógico. Agora, seu único receio, que ela chama de "ansiedade analógica", é não saber quando trocar as pilhas do aparelho. A história integra a série "Minha Vida Analógica", do Business Insider, que aborda a desconexão digital em um mundo cada vez mais online.