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Em painel realizado durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, executivos e um ministro destacaram os avanços da robótica e da automação, com foco especial na tecnologia de "gêmeos digitais". A discussão, moderada por Jamie Heller, do Business Insider, reuniu especialistas que apontaram como essas ferramentas estão gerando ganhos reais de produtividade e se apresentam como solução para trabalhos considerados perigosos, repetitivos ou de difícil contratação.

Os participantes concordaram que os "gêmeos digitais" – réplicas digitais de objetos, pessoas ou processos físicos – deixaram de ser uma possibilidade distante. Roland Busch, CEO da Siemens, afirmou que o uso da tecnologia resultou em um aumento de 20% na produção da empresa e uma redução de 20% nos custos de energia. "Você tem um processo muito mais rápido, não comete erros", disse Busch sobre a implementação dos gêmeos digitais.

Produtividade mensurável e tomada de decisão proativa

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Mihir Shukla, CEO da Automation Anywhere, explicou que a melhoria exponencial da tecnologia e do poder de computação potencializou os gêmeos digitais. "Digamos que os gêmeos digitais indiquem que haverá um problema na manufatura. Você pode agir proativamente. Isso tem implicações no seu estoque, no seu planejamento de envio", detalhou Shukla, enfatizando a capacidade de simular situações reais para melhorar a decisão das organizações.

Solução para trabalhos "monótonos, sujos e perigosos"

Peggy Johnson, CEO da Agility Robotics, defendeu que os robôs assumam funções que os humanos não podem ou não querem realizar. "É muito difícil contratar para esses trabalhos manuais. Eles são monótonos e sujos, e perigosos às vezes, porque você está levantando peso repetidamente. É um trabalho que anestesia a mente", afirmou.

Johnson destacou que o progresso mais rápido na robótica significa uma melhor qualidade de vida para os humanos, reduzindo lesões, especialmente com uma força de trabalho que está envelhecendo. "Muitos jovens não querem ir para ambientes como esse. Então, os funcionários mais velhos também se machucam mais", completou.

Integração vai além do financiamento

Thani Ahmed Al Zeyoudi, Ministro do Comércio Exterior dos Emirados Árabes Unidos, ecoou que a robótica é o futuro do trabalho "não qualificado", especialmente em setores como a construção civil. No entanto, ele alertou que financiar a IA é apenas o primeiro passo. "Às vezes você tem o dinheiro, mas não diagnosticou a solução certa para o problema que está tendo", ponderou.

Al Zeyoudi afirmou que a estratégia dos Emirados inclui nomeações governamentais, desenvolvimento de políticas e, principalmente, pesquisa e desenvolvimento (P&D). "Quando se trata de IA, é tarde demais. Você tem que começar a trabalhar em P&D porque isso garante a customização das coisas para o seu próprio ecossistema, seus próprios ambientes, suas próprias condições", argumentou, criticando a postura de muitos stakeholders que evitam investir em P&D para apenas "copiar e colar" soluções existentes.

O painel concluiu que, embora os desafios de segurança para operar robôs em ambientes humanos persistam, a combinação de gêmeos digitais e automação física está redefinindo a produtividade industrial e oferecendo alternativas para setores que enfrentam escassez crônica de mão de obra.