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A secretária Bruna Garcia, de 36 anos, está presa desde outubro de 2025 acusada de envenenar sistematicamente o cardiologista Victor Murad, de 90 anos, seu chefe em uma clínica no Espírito Santo. O objetivo do crime, segundo o Ministério Público do Estado (MP-ES), era esconder um desvio financeiro de R$ 544 mil cometido ao longo de 12 anos.

As investigações apontam que Bruna, que trabalhava com Murad desde 2013 e tinha controle total sobre suas finanças, misturava arsênio na comida e na água de coco do médico. O envenenamento teria começado quando os desvios corriam risco de serem descobertos, numa tentativa de criar uma cortina de fumaça sobre os crimes financeiros.

Fraude milionária e sintomas graves

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O desvio do meio milhão de reais foi usado pela secretária para financiar um padrão de vida luxuoso, incluindo viagens para a Disney e hospedagens em hotéis de alto padrão. Enquanto isso, o médico, que não utilizava ferramentas digitais como PIX, via seu patrimônio diminuir sem entender o motivo.

"Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Acreditava nela, assim, ela encanta qualquer um. É uma serpente", desabafou Victor Murad em entrevista ao Fantástico. Ele relatou sintomas graves como dores intensas, vômitos com sangue, anemia profunda e agravamento dos tremores do Parkinson.

Descoberta do crime e perícia capilar

A suspeita surgiu após a demissão de Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco de arsênio escondido em um depósito da clínica. O grande desafio da perícia foi provar a ingestão meses depois, já que a substância é eliminada rapidamente do sangue.

A solução veio da análise de fios de cabelo do médico, que comprovou que Murad estava sendo envenenado há pelo menos 1 ano e 3 meses. Devido ao mal-estar constante, o cardiologista precisou fechar o consultório que mantinha há mais de três décadas.

Próximos passos e defesa

Bruna Garcia, filha de uma antiga funcionária que trabalhou com Murad por 20 anos, responderá a júri popular pela acusação de tentativa de homicídio qualificado. O advogado de defesa, James Gouveia, nega todas as acusações contra sua cliente.

O caso, que chocou a comunidade médica capixaba, segue sob investigação do MP-ES, que deve apresentar novas denúncias relacionadas aos crimes financeiros.