O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB), afirmou nesta quarta-feira (11) que o grupo formalizou à Polícia Federal (PF) pedidos de acesso a documentos sigilosos para apurar o caso do Banco Master. A declaração foi feita após reunião com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, realizada na sede da corporação, em Brasília.
Segundo Calheiros, a intenção é “fortalecer a investigação da Polícia Federal para que, em nenhuma hipótese, haja blindagem nessa investigação”. O senador ressaltou que a fiscalização do sistema financeiro é uma competência permanente da CAE e que essa função não conflita com a criação de uma eventual Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
Requerimentos aprovados e próximos passos
Na terça-feira (10), o grupo de trabalho da CAE aprovou 19 requerimentos relacionados ao caso. Entre as medidas, estão convites para que o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-sócio Augusto Lima prestem depoimento. Também foram aprovadas audiências públicas com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly.
O colegiado aprovou ainda o envio de informações sobre o banco por órgãos como Banco Central, Polícia Federal, Ministério da Fazenda e Tribunal de Contas da União (TCU). Outras três audiências vão discutir a atuação das instituições financeiras brasileiras e as operações do Banco de Brasília (BRB), especialmente a compra de ativos do Banco Master.
Contexto legal e reuniões com outras autoridades
Renan Calheiros acrescentou que, embora a quebra de sigilo dependa de votação no plenário, a Lei Complementar 105, de 2001, permite às comissões permanentes requisitar informações dentro de sua competência. Após o encontro na PF, os senadores seguiram para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde se reuniram com o ministro Edson Fachin, presidente da corte, para tratar do mesmo assunto.
Participaram das reuniões os senadores Renan Calheiros (MDB), Izalci Lucas (PL), Margarete Busetti (PP), Fernando Farias (MDB), Soraya Thronicke (PODEMOS), Leila Barros (PDT) e Esperidião Amin (PP). O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025.