A startup africana de tecnologia de defesa Terra Industries anunciou a captação de US$ 22 milhões em uma rodada de investimento liderada pela Lux Capital. O aporte ocorre apenas um mês após a empresa, fundada pelos jovens nigerianos Nathan Nwachuku, de 22 anos, e Maxwell Maduka, de 24, levantar US$ 11,75 milhões em uma rodada comandada pela firma 8VC, de Joe Lonsdale.
A Terra Industries foi lançada em 2024 com o objetivo de projetar infraestrutura e sistemas autônomos para ajudar nações africanas a monitorar e responder a ameaças à segurança. O CEO Nathan Nwachuku afirmou que a meta é construir "a primeira empresa de defesa de primeira linha da África, para criar sistemas de defesa autônomos e outros sistemas para proteger nossa infraestrutura crítica e recursos de ataques armados".
Expansão rápida e contratos bilionários
Segundo Nwachuku, a nova rodada de investimento foi rápida devido ao "forte momento" da empresa. Outros investidores incluem a 8VC, a Nova Global e a Resiliience17 Capital, fundada pelo CEO da Flutterwave, Olugbenga Agboola. O executivo disse que os investidores viram uma "atração mais rápida do que o esperado" em relação a acordos e parcerias, o que criou urgência para aumentar o compromisso.
A rodada foi concluída em menos de duas semanas, elevando o financiamento total da empresa para US$ 34 milhões. Em janeiro, a Terra havia acabado de vencer seu primeiro contrato federal. A empresa tem clientes governamentais e comerciais e, na ocasião, Nwachuku afirmou que a Terra já havia gerado mais de US$ 2,5 milhões em receita comercial e estava protegendo ativos avaliados em cerca de US$ 11 bilhões.
Parceria internacional e foco regional
Desde janeiro, a empresa começou a se expandir para outras nações africanas ainda não anunciadas – sua sede é na Nigéria – e garantiu mais contratos governamentais e comerciais. Um deles é com a AIC Steel, que permitirá à Terra estabelecer uma instalação de manufatura conjunta na Arábia Saudita focada na construção de infraestrutura de vigilância e sistemas de segurança. "É nossa primeira grande expansão de manufatura fora da África", disse Nwachuku.
O CEO destacou que a prioridade é trabalhar com países onde o terrorismo e a segurança da infraestrutura são grandes preocupações nacionais, citando em particular os localizados na região da África Subsaariana e do Sahel. "Muitas dessas empresas não apenas perderam bilhões em infraestrutura, mas também milhares de vidas nas últimas décadas", afirmou.
Contexto do setor de defesatech
O novo aporte elevado não chega a ser uma surpresa, considerando os custos para construir uma empresa de defesa. Para comparação, a americana Anduril já levantou mais de US$ 2,5 bilhões em financiamento; a ShieldAI captou cerca de US$ 1 bilhão em capital; a fabricante de drones Skydio levantou cerca de US$ 740 milhões, e a fabricante de embarcações autônomas navais Saronic, cerca de US$ 830 milhões.
Nwachuku afirmou que a empresa revelará mais parcerias e contratos ao longo deste ano. "Estamos focados em direcionar nossas soluções para as principais economias onde a necessidade de segurança da infraestrutura é urgente e onde nossas soluções podem causar um impacto significativo. É assim que pensamos sobre a expansão", concluiu o CEO.