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Sundar Pichai, CEO da Alphabet e do Google, consolidou-se como uma das figuras mais poderosas do Vale do Silício após uma ascensão meteórica dentro da empresa. Nascido na Índia e formado em Stanford e Wharton, Pichai, de 52 anos, comanda uma empresa avaliada em quase US$ 2 trilhões e enfrenta desafios como disputas antitruste, cortes de pessoal e a corrida pela inteligência artificial.

Pichai ingressou no Google em 2004, no mesmo dia do lançamento do Gmail, e rapidamente se destacou. Sua promoção a CEO do Google ocorreu em 2015 e, em dezembro de 2019, ele assumiu o cargo máximo na Alphabet, holding controladora do Google, substituindo o cofundador Larry Page.

Infância modesta e talento precoce

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Nascido Pichai Sundararajan em Chennai, na Índia, o executivo cresceu em um apartamento de dois cômodos, onde dividia a sala de estar com o irmão mais novo. Seu pai era engenheiro elétrico e sua mãe, estenógrafa. Desde cedo, demonstrou uma memória excepcional para números, sendo capaz de lembrar todas as ligações feitas no telefone de disco da família.

Interessado por computadores – seu primeiro programa foi um jogo de xadrez –, estudou engenharia no Instituto Indiano de Tecnologia de Kharagpur. Uma bolsa de estudos o levou para um mestrado na Universidade Stanford, nos EUA, onde chegou em 1993. O choque com os preços americanos foi imediato: ele ficou em "estado de choque absoluto" ao ver uma mochila sendo vendida por US$ 60.

Ascensão dentro do Google

Antes do Google, Pichai trabalhou na fabricante de semicondutores Applied Materials e na consultoria McKinsey. Sua entrada na empresa de busca, em 2004, coincidiu com o lançamento do Gmail, que ele inicialmente achou ser uma pegadinha de 1º de abril.

Como vice-presidente de gerenciamento de produtos, foi fundamental na criação do navegador Google Chrome, hoje o mais popular do mundo. A decisão partiu de uma necessidade estratégica após a Microsoft tornar o Bing a busca padrão no Internet Explorer em 2006. Seu estilo focado em resultados e bem quisto internamente o levou a assumir a divisão Android em 2013 e, posteriormente, produtos centrais como Google+, Maps, Search e anúncios.

Em 2014, recusou uma oferta para um cargo de liderança no Twitter. Como recompensa por sua lealdade, recebeu um bônus de US$ 50 milhões e uma promoção, tornando-se o braço direito de Larry Page. "Sundar tem uma tremenda capacidade de ver o que está à frente e mobilizar equipes em torno do que é super importante", escreveu Page na época.

Desafios no topo

Como CEO da Alphabet, Pichai enfrentou escrutínio público e interno. Foi interrogado pelo Congresso dos EUA sobre práticas de privacidade de dados em 2018 e sobre preocupações antitruste em 2020. Em agosto de 2024, um juiz federal considerou que a Google violou leis antitruste para manter o monopólio das buscas.

Internamente, lidou com a demissão conturbada da ética de IA Timnit Gebru em 2020, pedindo desculpas pelo ocorrido. Também comandou uma fase de cortes de custos, com demissões que afetaram 12 mil funcionários (6% da força de trabalho global) em janeiro de 2023. Funcionários criticaram sua remuneração – que totalizou US$ 226 milhões em 2022 – em meio aos cortes.

Aposta na inteligência artificial

Pichai declarou que a Google seria uma empresa "AI-first" (prioridade em IA) já em 2016, chamando a tecnologia de algo "mais profundo que a eletricidade ou o fogo". O lançamento do ChatGPT, em 2022, fez a empresa emitir um "alerta vermelho" e redirecionar recursos. A resposta veio com o lançamento do modelo multimodal Gemini em dezembro de 2023 e a integração de visões geradas por IA em seus produtos de busca em 2024.

Em fevereiro de 2026, a Alphabet anunciou planos de dobrar seus gastos de capital no ano, para até US$ 185 bilhões, com grande parte destinada à infraestrutura de IA. O aplicativo Gemini já contava com mais de 750 milhões de usuários ativos mensais.

Vida pessoal e influência

Pichai é casado com Anjali, sua namorada da época da faculdade, com quem tem dois filhos: Kiran e Kavya. Mantém uma rotina matinal que inclui chá, omelete e a leitura do jornal físico The Wall Street Journal e do site TechMeme.

Considerado um herói em seu país natal, anunciou em 2020 um investimento de US$ 10 bilhões no setor de tecnologia da Índia. Também se posicionou publicamente, criticando em 2015 a proposta do então candidato Donald Trump de proibir a imigração muçulmana para os EUA. Em 2025, esteve entre os executivos de tecnologia que compareceram à posse de Trump, e a Google doou US$ 1 milhão para o comitê de inauguração.

Segundo o Bloomberg Billionaires Index, Pichai tornou-se bilionário em 2025. Na última divulgação, seu pacote de remuneração total para o ano fiscal de 2024 foi de US$ 10,73 milhões.