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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que sua agenda econômica reduziu significativamente os custos para os americanos. Em sua fala na quarta-feira, ele citou quedas nos preços da gasolina, moradia, medicamentos e taxas de cartão de crédito como conquistas de seu governo.

No entanto, uma análise dos dados disponíveis revela uma realidade mais complexa, com alguns indicadores mostrando melhorias modestas, outros permanecendo altos e milhões de americanos enfrentando aumento no custo de vida e um mercado de trabalho difícil.

Gasolina: preço abaixo de US$ 2,50, mas longe de US$ 2

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Trump declarou que "o preço da gasolina agora está abaixo de US$ 2,50 o galão em muitos estados... Em breve estará custando em média menos de US$ 2 o galão". De acordo com a AAA, dez estados tinham preço médio no ou abaixo de US$ 2,50 em 21 de janeiro. A média nacional, porém, era de US$ 2,81 por galão em 19 de janeiro.

Embora o valor represente quase metade do pico registrado em 2022, os preços não ficaram abaixo de US$ 2 desde o auge da pandemia de Covid-19.

Moradia: ordem contra investidores tem alcance limitado

Sobre habitação, o presidente disse ter assinado uma ordem para banir grandes investidores institucionais de comprar casas unifamiliares, afirmando que "a América não se tornará uma nação de inquilinos". Especialistas, contudo, avaliam que o impacto na acessibilidade será pequeno, pois esses investidores detêm apenas 2% a 3% das propriedades familiares para aluguel nos EUA.

As taxas de hipoteca fixa de 30 anos caíram no último ano, mas permanecem relativamente altas. Os preços médios dos aluguéis tiveram crescimento consistente e acentuado nos últimos cinco anos.

Medicamentos: negociações em curso, mas subsídios expiram

Trump afirmou que "o custo de medicamentos prescritos está caindo em até 90%". Seu governo negocia com empresas farmacêuticas e lançou a plataforma TrumpRx, um serviço direto ao consumidor para conectar pessoas a medicamentos mais baratos.

Paralelamente, os subsídios aprimorados do Affordable Care Act (ACA) expiraram em dezembro devido à oposição republicana no Congresso, causando um aumento nos prêmios de seguro para milhões. Dados de janeiro mostram que pelo menos 1,4 milhão de americanos cancelaram seus planos de saúde entre 2025 e 2026.

Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, atribuiu o declínio às "medidas de bom senso da administração Trump para cortar desperdício, fraude e abuso e remover pessoas que foram indevidamente inscritas em planos do ACA altamente subsidiados".

Cartões de crédito: proposta de teto divide opiniões

O presidente também disse estar pedindo ao Congresso para limitar as taxas de juros do cartão de crédito a 10% por um ano, alegando que taxas altas têm "enganado" os consumidores. No terceiro trimestre de 2025, a dívida de cartão de crédito dos americanos atingiu um recorde de US$ 1,23 trilhão.

A proposta recebeu apoio bipartidário de senadores como Elizabeth Warren e Bernie Sanders, mas é amplamente rejeitada por líderes bancários e empresariais, que argumentam que um limite de 10% impediria a precificação adequada do risco de crédito para pessoas com histórico ruim.

O discurso em Davos ocorre em um momento de avaliação das políticas econômicas do governo Trump, com analistas destacando a distância entre as alegações presidenciais e os dados concretos que moldam o dia a dia das famílias americanas.