Trump ameaça invocar Lei da Insurreição para enviar tropas a Minnesota
Ação presidencial ocorre após protestos contra operações de imigração que resultaram em mortes e confrontos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira (15) invocar a Lei da Insurreição de 1807 para enviar forças militares ao estado de Minnesota. A declaração foi feita na rede social Truth Social em resposta aos protestos e confrontos em Minneapolis contra a atuação de agentes federais de imigração. A ameaça eleva o conflito entre a Casa Branca e o governo estadual.
A tensão aumentou após a morte da cidadã americana Renee Good, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no último dia 7. Além disso, na quarta-feira (14), um novo tiroteio deixou um agente federal ferido durante uma abordagem. Na publicação, Trump afirmou: "Se os políticos corruptos de Minnesota não obedecerem à lei e impedirem que agitadores profissionais e insurgentes ataquem os Patriotas do ICE, que estão apenas tentando fazer seu trabalho, instituírei a Lei de Insurreição, como muitos presidentes já fizeram antes de mim, e porei um fim rápido à farsa que está acontecendo naquele que um dia foi um grande estado."
Confrontos e versões conflitantes
Na noite de quarta-feira (14), agentes federais utilizaram gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral para dispersar manifestantes próximos ao local do tiroteio mais recente. Houve reação com pedras e fogos de artifício, segundo relatos de autoridades locais. O Departamento de Segurança Interna afirmou que o agente ferido disparou em “legítima defesa” após ser atacado com um cabo de vassoura e uma pá durante a perseguição a um imigrante venezuelano. A versão oficial não pôde ser verificada de forma independente por veículos internacionais.
O chefe de polícia de Minneapolis informou que o homem baleado não corre risco de vida. Desde a morte de Renee Good, protestos se tornaram frequentes na cidade, com confrontos durante operações em que agentes federais retiraram pessoas de carros e residências, gerando reação de moradores.
Reação das autoridades estaduais
Autoridades de Minnesota reagiram publicamente à ameaça presidencial. O procurador-geral Keith Ellison afirmou que contestará judicialmente qualquer mobilização militar sem solicitação do Estado. O governo estadual já acionou a Justiça para tentar barrar o aumento do contingente federal, alegando violações de direitos civis.
O governador Tim Walz pediu redução da tensão e criticou a condução federal da operação. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou o reforço do ICE como uma “invasão” e disse que há condutas federais “inaceitáveis”.
Contexto histórico da lei
A Lei da Insurreição permite ao presidente empregar tropas federais ou federalizar a Guarda Nacional para conter "distúrbios" civis, medida rara e historicamente sensível. A legislação foi utilizada cerca de 30 vezes na história dos Estados Unidos, a última em 1992, quando tropas foram enviadas a Los Angeles a pedido das autoridades locais. O cenário atual é diferente, pois o Estado de Minnesota se opõe formalmente à intervenção.
O conflito permanece em aberto, com o governo federal mantendo a pressão e as autoridades locais buscando medidas judiciais para impedir a intervenção militar. A situação em Minneapolis segue tensa, com a possibilidade de novos protestos e a incerteza sobre os próximos passos da administração Trump.
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