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Trump descarta eleições na Venezuela em 30 dias e exclui opositora Machado da transição
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Trump descarta eleições na Venezuela em 30 dias e exclui opositora Machado da transição

Presidente americano afirma que país precisa ser "consertado" primeiro e nomeia equipe para coordenar governo interino.

Redação
Redação

6 de janeiro de 2026 ·
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou nesta segunda-feira (5) a realização de novas eleições na Venezuela nos próximos 30 dias. Em entrevista à NBC News, ele afirmou que o país precisa ser "consertado" primeiro, alimentando a incerteza política após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças americanas no último sábado (3).

Trump também excluiu a líder oposicionista e Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, do processo de transição. Quem assumiu como chefe de governo interina foi a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, uma figura histórica do chavismo que se ofereceu para colaborar com Washington.

Exclusão da oposição e governo interino chavista

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Em declarações à emissora americana, Trump foi taxativo sobre María Corina Machado: "Não há como o povo votar". Ele já havia dito anteriormente que, apesar de considerá-la "uma mulher muito simpática", ela não teria o "apoio" ou "respeito" necessários para governar.

Machado, impedida de concorrer em 2024, liderou a campanha de Edmundo González Urrutia e coordenou uma rede de fiscalização que, segundo a oposição, comprova a vitória de González e a fraude do regime. Em entrevista à Fox News, ela criticou Rodríguez, chamando-a de "uma das principais arquitetas da tortura, perseguição, corrupção e narcotráfico".

O governo interino é integrado por figuras-chave do chavismo, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello – temido por ter comandado a repressão pós-eleitoral de 2024, com 2.400 prisões e 24 mortes – e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

Equipe americana e indefinição constitucional

Trump designou uma equipe para coordenar a transição, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário da Defesa, Pete Hegseth; o assessor para Segurança e Migração, Stephen Miller; e o vice-presidente JD Vance. Questionado sobre quem tomaria as decisões, Trump afirmou que ele terá a última palavra.

A indefinição se estende ao plano constitucional. A Carta venezuelana prevê eleições em 30 dias em caso de "ausência absoluta" do presidente, cenário descartado por Trump. Também permite uma "ausência temporária", onde o vice assume por até 180 dias antes de novas eleições.

O presidente da Câmara dos EUA, Mike Johnson, aliado de Trump, disse acreditar que uma eleição "deveria acontecer em breve".

Cenário de incerteza e diáspora

Trump afirmou que Rodríguez está cooperando e que os EUA já estão "no comando" do país, advertindo a líder interina de que poderá ter um destino pior que o de Maduro se não "fizer o que é certo". Ele negou qualquer contato com Rodríguez antes da operação que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

O cenário de incerteza jurídica, política e econômica desencoraja o retorno da diáspora venezuelana, estimada em 7,9 milhões de pessoas pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

"Não houve mudança de regime na Venezuela, não há transição", disse a socióloga e ativista Ligia Bolívar à AFP. "Nestas circunstâncias, ninguém vai voltar para casa", concluiu.

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