TV 3.0 transforma mercado audiovisual e varejo além da qualidade da imagem
Dispositivos como TV Box democratizam acesso à nova tecnologia e redesenham modelos de negócio e publicidade.
A TV 3.0, tecnologia que será amplamente promovida às vésperas da Copa do Mundo de 2026, representa uma mudança estrutural no consumo de conteúdo, no posicionamento do varejo e na organização do mercado audiovisual brasileiro. Especialistas apontam que limitar sua definição a avanços técnicos como imagem em 4K e som imersivo é subestimar seu impacto real. A migração tecnológica está sendo impulsionada não apenas pela troca de televisores, mas principalmente pela popularização do TV Box, que atualiza aparelhos antigos.
Historicamente, os grandes eventos esportivos globais impulsionam a venda de novos televisores. No entanto, a durabilidade dos painéis atuais faz com que a substituição não seja imediata para a maioria das famílias, que costumam realocar os aparelhos mais antigos dentro de casa. Nesse cenário, o TV Box surge como um catalisador essencial, prolongando a vida útil das TVs e democratizando o acesso à experiência interativa da TV 3.0 sem a necessidade de troca do painel.
TV Box como ponte para o futuro
O endurecimento da regulação e o combate à pirataria têm impulsionado a busca por dispositivos homologados, com crescimento visível nas vendas. Operadoras de telecomunicações passaram a enxergar o produto como uma extensão natural de seus serviços. Bruno Carvalho, gerente de Produtos e Pré-Vendas da ZTE Brasil, explica que o hábito de assistir TV permanece como um momento valioso de atenção. "A experiência deixa de ser passiva e passa a ser ampliada por interações, múltiplas câmeras, acesso a informações adicionais e serviços integrados", afirma.
Mais do que um acessório, o dispositivo transforma a TV de um meio de transmissão em uma plataforma conectada, integrando o sinal de radiodifusão tradicional à internet. Essa convergência é o cerne da transformação trazida pela TV 3.0.
Novos modelos de negócio e publicidade
A integração entre radiodifusão e internet está redesenhandos os modelos de negócio, começando pela publicidade. Com a TV 3.0, os anúncios deixam de ser rígidos e padronizados, abrindo espaço para campanhas regionalizadas, mais precisas e acessíveis a empresas que antes não tinham orçamento para os horários nobres da TV aberta. O macro dá lugar ao micro, criando novas fontes de receita para o setor.
Bruno Carvalho é direto ao afirmar que quem não acompanhar essa transição corre o risco de perder relevância. "Não se trata de desaparecer, mas de deixar de explorar oportunidades", destaca. A tecnologia quebra o formato engessado da TV linear e cria um ambiente mais flexível e alinhado ao comportamento digital do público.
Infraestrutura e investimentos coordenados
O avanço da TV 3.0 exige investimentos em infraestrutura, em uma migração que ocorre de forma faseada. As emissoras precisam atualizar seus parques de transmissão, enquanto o consumidor final depende de uma conexão de internet estável para explorar todo o potencial interativo. A ZTE, empresa com atuação em 5G, fibra óptica e dispositivos, observa esse ecossistema de ponta a ponta, do data center da emissora ao equipamento na casa do usuário.
"A boa notícia é que os investimentos já começaram e o movimento é coordenado entre governo, indústria e radiodifusores", revela o gerente da ZTE Brasil. Com a Copa do Mundo no horizonte, a TV 3.0 deixa de ser um conceito distante e se torna palpável, seja pela compra de uma nova TV, seja pela adoção de um dispositivo que atualiza a que já está em casa.
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