Uber queimou orçamento anual de IA em 4 meses: o lado sombrio do "tokenmaxxing"

Uber queimou orçamento anual de IA em 4 meses: o lado sombrio do "tokenmaxxing"

Executivo do Uber admite que não vê relação direta entre uso de tokens e produtividade real

Redação
Redação

27 de maio de 2026

Você já ouviu falar em tokenmaxxing? Essa é a nova moda no Vale do Silício — e está queimando bilhões de dólares em empresas sem entregar resultado concreto.

O COO do Uber, Andrew Macdonald, soltou uma bomba em entrevista recente: a gigante dos aplicativos consumiu todo o orçamento anual de IA nos primeiros quatro meses do ano. E pior: ele admite que não consegue enxergar ganhos reais de produtividade com isso.

"Essa ligação ainda não existe"

"Acho que, implicitamente, talvez esteja sendo entregue mais coisa, mas é muito difícil traçar uma linha entre uma dessas estatísticas e 'OK, agora estamos produzindo 25% mais funcionalidades úteis para o consumidor'", disse Macdonald em declaração que viralizou no X, acumulando mais de 2 milhões de visualizações.

Para quem não sabe: tokens de IA são os blocos básicos processados por chatbots — cada token equivale a cerca de ¾ de uma palavra. Tokenmaxxing significa usar o máximo possível desses tokens para mostrar produtividade. E mostrar serviço.

O problema é ainda maior

Não é só o Uber que está nessa. Meta agora chama alguns funcionários de "construtores de IA" e os coloca em "pods" nativos de IA. Disney e JPMorgan monitoram o uso de IA pelos funcionários. Visa recompensa equipes que constroem mais rápido com IA e se gabou de gastar quase 2 trilhões de tokens por mês.

"Tenho quase certeza de que 50% do gasto interno com tokens é completamente inútil, mas neste momento é difícil saber quais 50%", postou Akshat Bubna, CTO da startup de IA Modal, no X.

O engenheiro Karthik Hariharan foi ainda mais direto: "Tokens foram queimados em milhões de dólares sem nenhum ROI real para mostrar."

CEO do Google também está preocupado

Até Sundar Pichai, CEO do Google, reconheceu o problema. Na conferência I/O da empresa, ele disse que ouviu de diretores de informação que estão "muito preocupados com o quanto suas empresas estão estourando os orçamentos". E soltou: "Acho que o problema vai piorar ao longo do ano."

O debate sobre tokenmaxxing já levanta temores de que a bolha da IA esteja prestes a estourar. Na segunda-feira, o lendário investidor Michael Burry (o "Grande Short") chamou o tokenmaxxing de "fase louca, apressada e temporária" e disse que as ações da Nvidia correm alto risco de uma queda "agressiva".

Mas nem todo mundo acha ruim

Garry Tan, CEO da lendária Y Combinator, abraçou o termo: "Estamos tokenmaxxing há mais tempo que a maioria das pessoas."

E existe um meio-termo. Um relatório da empresa de inteligência de engenharia Jellyfish descobriu que os 10% maiores usuários do Claude Code consumiam cerca de 10 vezes mais tokens que o desenvolvedor mediano — e produziam apenas o dobro de resultado.

A solução? As empresas não devem recompensar nem punir o consumo bruto de tokens. Em vez disso, precisam atrelar os custos a métricas concretas, como pull requests — a forma como desenvolvedores propõem mudanças em projetos compartilhados.

Enquanto isso não acontece, o alerta está dado: o tokenmaxxing pode estar criando uma bolha bilionária que, quando estourar, vai deixar rastros. E você, já está vendo sinais disso na sua empresa?

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