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UE ameaça retaliar com "bazuca" comercial se Trump impuser tarifas sobre Groenlândia
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UE ameaça retaliar com "bazuca" comercial se Trump impuser tarifas sobre Groenlândia

Mecanismo europeu pode atingir setor de serviços dos EUA, principal vantagem comercial americana no mundo.

Redação
Redação
21 de janeiro de 2026

A União Europeia está considerando ativar um poderoso mecanismo de retaliação comercial, conhecido como "bazuca", caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, imponha novas tarifas alfandegárias sobre países europeus. A ameaça surge em resposta à proposta de Trump de aplicar uma tarifa adicional de 10% a oito nações do bloco que se opõem a um acordo para ceder o controle da Groenlândia aos EUA.

O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu publicamente o uso do instrumento durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na terça-feira. "O mecanismo anti-coerção é um instrumento poderoso, e não devemos hesitar em implantá-lo no ambiente difícil de hoje", declarou Macron. A ferramenta, aprovada pela UE em 2023, permitiria ao bloco impor tarifas sobre importações e restringir a exportação de serviços dos Estados Unidos.

Alvo é o ponto forte da economia americana

A retaliação europeia teria um impacto significativo porque miraria o setor de serviços, área na qual os Estados Unidos mantêm uma grande vantagem comercial global. Enquanto o país tem um déficit comercial em bens, registra um superávit constante em serviços há cinco décadas, sendo o maior exportador mundial do setor.

Dados do Federal Reserve de St. Louis mostram que os EUA exportaram US$ 1,1 trilhão em serviços em 2024. O Bureau of Economic Analysis (BEA) aponta que, desse total, US$ 489 bilhões foram destinados à Europa no mesmo ano. Setores como tecnologia, farmacêutico e financeiro seriam os mais afetados por eventuais restrições.

Ameaça de Trump e reação em cadeia

Em um post na rede Truth Social, Trump ameaçou elevar para 25% as tarifas sobre os oito países europeus – Dinamarca, Alemanha, França e Reino Unido entre eles – em junho, caso não aceitem o acordo sobre a Groenlândia. "Esta tarifa será devida e pagável até que um acordo seja alcançado para a compra completa e total", escreveu o presidente americano.

Alex Durante, economista sênior da fundação apartidária Tax Foundation, classificou a situação como "território inexplorado" e alertou para os riscos à posição internacional dos EUA. "A América realmente perderia qualquer posição que ainda tem no mundo se fosse em frente e fizesse algo assim", disse Durante à Business Insider.

Box Explicativo: O que é a "bazuca" comercial da UE?

O Regulamento Anti-Coerção da UE é uma ferramenta que permite ao bloco retaliar economicamente contra países terceiros que tentem forçar a tomada de decisão de um Estado-membro através de ameaças comerciais. Segundo um documento de perguntas e respostas da Comissão Europeia, o instrumento é "projetado para ser amplo" para permitir uma "resposta eficiente com impacto mínimo ou nenhum na economia da UE".

Consequências para empresas e consumidores

Alex Durante detalhou que a UE poderia restringir licenças de propriedade intelectual para empresas americanas e limitar o acesso de bancos dos EUA aos mercados europeus, aumentando custos domésticos. "Muitos desses setores, em termos das tarifas que Trump impôs, foram isolados disso por causa das isenções", observou o economista.

Se Trump seguir adiante com as tarifas, os consumidores americanos provavelmente arcariam com o custo. Um estudo recente do Instituto Kiel para a Economia Mundial, think tank alemão, analisou mais de 25 milhões de registros de embarque e concluiu que 96% das tarifas dos EUA foram pagas por consumidores americanos entre janeiro de 2024 e novembro de 2025.

Próximos passos e prazos

Caso a UE decida acionar o mecanismo, o processo levaria tempo. A Comissão Europeia teria quatro meses para examinar as alegações e até seis meses para determinar uma resposta apropriada. Paralelamente, a administração Trump aguarda uma decisão da Suprema Corte sobre a legalidade de muitas das tarifas do presidente, o que poderia limitar suas ferramentas para futuras ameaças comerciais.

O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, afirmou à Business Insider que "a administração Trump cumpriu sua palavra" no acordo comercial com a UE deste ano e sugeriu que "o tempo da UE seria melhor gasto cumprindo esses compromissos comerciais".

Durante finalizou alertando para uma espiral perigosa: "Quando você tem esse tipo de política de 'toma-lá-dá-cá', os EUA ameaçam algo, a UE responde, e então nós ameaçamos algo ainda além, isso pode realmente sair do controle muito rápido e tornar os cidadãos tanto da UE quanto dos EUA piores."

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