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Os dois adolescentes suspeitos de envolvimento na morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em 5 de janeiro, retornaram ao Brasil e tiveram aparelhos telefônicos e roupas apreendidos pela Polícia Civil de Santa Catarina. A ação foi realizada pela Delegacia de Atendimento à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DEACLE) e pela Delegacia de Polícia de Atendimento (DPA) da capital, ainda no Aeroporto Internacional de Florianópolis, nesta quinta-feira (29).

Os jovens, cujas identidades são preservadas por serem menores de idade, estavam nos Estados Unidos e anteciparam a viagem de volta após o andamento das investigações. As ordens judiciais de busca e apreensão foram cumpridas em uma sala restrita do terminal aéreo.

Defesa afirma colaboração e pede responsabilidade

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Em nota, os advogados de defesa Alexandre Kale e Rodrigo Duarte confirmaram o retorno e informaram que as famílias receberam acompanhamento das autoridades para garantir a integridade física e emocional dos adolescentes. A defesa ressaltou que os jovens estão colaborando com as investigações.

“A defesa e as famílias ressaltam o apoio irrestrito às investigações conduzidas pela Polícia Civil, confiando que o trabalho técnico e responsável das autoridades permitirá que o caso seja rapidamente esclarecido e que a inocência dos dois jovens seja comprovada”, afirmaram os advogados em comunicado enviado ao portal iG.

Os representantes legais também reiteraram a necessidade de que o debate público seja pautado por responsabilidade e respeito aos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), evitando julgamentos precipitados e a amplificação de ataques.

Morte de Orelha causou comoção na Praia Brava

O caso gerou grande comoção entre moradores e frequentadores da Praia Brava, em Santa Catarina. Orelha era um cão comunitário de aproximadamente 10 anos, conhecido por circular livremente pelo bairro. Ele foi encontrado com ferimentos graves após desaparecer por alguns dias.

Relatos indicam que o animal desapareceu durante a madrugada após ser chamado por um grupo de adolescentes. Na manhã seguinte, moradores o encontraram ainda com vida, em estado grave, e o levaram para atendimento veterinário. Orelha não resistiu aos ferimentos e morreu durante o procedimento cirúrgico.

Andamento do caso e obstáculos nas investigações

O porteiro que registrou as agressões em vídeo para formalizar a denúncia informou ter sofrido ameaças de pais dos adolescentes envolvidos. Além disso, a juíza inicialmente designada para o caso se declarou impedida de atuar devido à proximidade com as famílias dos suspeitos, o que levou à redistribuição do processo para outra magistrada.

A Polícia Civil segue com as investigações para apurar todas as circunstâncias da morte do animal. A apreensão dos itens dos adolescentes visa coletar possíveis evidências digitais e materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.